Sexta-feira , 02 de Dezembro DE 2016

Por Ti Seguirei… (2.16)

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… em continuação de http://galgacourelas.blogs.sapo.pt/por-ti-seguirei-2-15-76136

 

Manobraram rapidamente para aproximarem novamente as amuradas. A maioria dos capazes saltaram para o navio onde se desenrolava a contenda.

Os romanos concentravam cada vez mais efetivos no centro da refrega, enquanto os cilícios se empenhavam estoicamente em conter a maré de inimigos que assomava da recém-chegada galera, atravessando as pranchas. Zlatan liderava a contra-ofensiva, dando o exemplo. Estava de tal modo engalfinhado na liça que avançou demasiado para o interior das posições inimigas, acabando por ficar cercado, na companhia de uma mão cheia dos seus seguidores.

Ainda longe, Tongídio apercebeu-se do perigo. Chamou os seus e envolveu-se na peleja, procurando resgatar o salteador dos mares.

- Zlaton, aguenta! Estamos a chegar! – gritou-lhe.

O pirata rodou a cabeça e, apesar de acometido por vários adversários, ao ver os iberos a carregar sobre os latinos, sorriu, dando um grito de regozijo que serviu de incentivo, propagando-se pelas suas linhas.

Com as falcatas sempre cálidas pelo sangue derramado, os iberos lograram libertar Zlaton do bloqueio romano, assim como amoleceram o ímpeto ofensivo do inimigo. Tongídio guiava agora os seus guerreiros para próximo das pontes que faziam a passagem entre as galeras romanas e que permitiam a constante entrada de reforços dos itálicos.

- Espera Tongídio! Tenho uma arma mais eficaz para afastar esta praga de uniformes pomposos. Tragam as talhas de barro lacradas que estão amarradas à base do mastro. Escolhe também dois dos vossos mais hábeis na utilização da funda. Já te mostrarei qual é a minha ideia.

- Assim seja, Zlaton: irá Caturnino buscar os potes que pedes. – apontou.

Os grandes recipientes de barro chegaram célere junto à frente de combate. Logo dois iberos – pastores em tempos de paz – muniram as fundas e aguardaram por ordens.

- Os potes têm uma surpresa espinhosa para os romanos. Quem tiver o braço forte deve-os lançar para a galera de lá. Quando estiverem ainda no ar, à altura dos ombros do inimigo, os fundibulários fazem-lhe pontaria. Entretanto, vamos fazer uma investida fulgurosa para provocar o recuo dos romanos. Atrás de nós, aproximem-se o que vos for possível, para executar o plano.

Um lusitano e um kaledónio foram incumbidos do arremesso. Assim que conseguida uma boa posição, uma após outra, 4 talhas foram lançadas e prontamente apedrejadas pelos exímios braços que giraram as fundas.

Executadas as ordens de Zlaton, não perceberam de imediato o que se passava na trirreme romana contígua. Apenas observavam algo parecido com uma nébula semelhante à do fumo, pendente sobre uma extensão do convés onde os legionários gesticulavam muito e movimentavam-se desordenadamente, acabando por abandonar a formatura em correria, para mergulhar no mar. A situação acabou por alastrar a toda a galera.

- Vamos recuar, são vespas africanas! Centenas delas! Os ferrões são como pequenos dardos, e estas estão bastante assanhadas, desde que foram fechadas nos potes de barro! – Riu-se Zlaton, descortinando o mistério da arma secreta.

A risada generalizou-se entre os combatentes iberos e cilícios enquanto aceleravam o passo de regresso à sua embarcação, aproveitando a desorganização lançada nas fileiras romanas.

 

Com todos a bordo, o barco dos marinheiros piratas afastou-se na direção de Cartago.

Restabelecida a calma, amparados os feridos e recuperados os maus tratos no equipamento, Zlaton deu ordens para se avançar com a preparação de refeição.

O tempo cobria-se de manto frio. Levantaram uma tenda junto ao mastro da embarcação, acenderam os fogareiros de bronze, e logo começou a correria dos cozinheiros ao porão dos aprovisionamentos.

As brasas atiçadas mordiscavam peixe, carne ou outros alimentos aparelhados sobre as grelhas. Uma pedra mantida ruborescida no calor da fornalha cozia a massa, transformando-a num pão liso, tostado e crocante. A mistura de condimentos exóticos adoçava ainda mais os intensos aromas, atiçando os sentidos e os estômagos esfaimados.

Em duas filas, os mais ilustres sentaram-se frente a frente, no tombadilho e sob a tenda. As taças com as iguarias iam circulando de mão em mão, assim como a bebida. Afagadas as fraquezas físicas, relaxavam os espíritos e a conversa avançava cada vez mais fácil, difusa e alegre.

 

No extremo oposto aos dos líderes, a ansiedade e a tremura dominavam Aleutério. Para ele, sobre aquele mar imenso, nada mais havia; nem barco, nem o enxame de indivíduos que, por força dos acontecimentos, se apinhavam dentro daquele casco sobrelotado. Zlaton era como uma visão hipnotizadora. Só os dois coexistiam naquele espaço, mas por múltiplos hiatos temporais, que corriam rápidos, entre o passado e o presente, na sua mente.

- O que se passa com o ancião, que me amarra sofregamente com o olhar?! Tem-me algum azar ou outro tipo de fel? Terei executado alguém que lhe era especialmente querido?

- Pelo contrário Zlaton, aquele homem tem algo para esclarecer contigo, e foi o verdadeiro motivo que nos fez voltar à liça com os romanos e lutar ao vosso lado. Deves ouvi-lo, porque esse parece ser o pronuncio dos deuses. – respondeu Tongídio.

O chefe cilício franziu o sobrolho, assentiu com a cabeça e apontou: - Tu, homem vetusto, vem sentar-te aqui ao meu lado. Quero escutar a sabedoria com que os anos te favoreceram. Zila levanta-te e troca de lugar com ele!

O pobre Aleutério estremeceu, despertando para o ambiente que o rodeava. Periclitante, com passos curtos, dirigiu-se e arrumou-se no lugar indicado. Leuko seguiu-o e aninhou-se atrás das suas costas.

Rubínia quebrou o gelo: - Apesar de viverem algo apartados da comunidade do nosso povoado, Aleutério e Leuko foram vaticinados pela graça da nossa deidade, Trebaruna, para que nos acompanhassem na missão que recebemos. Nada o fazia prever, mas o destino é-nos comum. Pouco ou nada sabíamos deste homem, que um dia apareceu junto aos nossos muros, sempre foi tido como alienado e, assim, respeitado no seu isolamento. Só recentemente, no decurso desta jornada, é que soubemos mais sobre o seu passado. Julgo que será esta a razão da sua eleição divina para o grupo e a obstinação por ti, Zlaton. Mas, ele o dirá…

 

Andarilhus

II : XII : MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 20:52
Quinta-feira , 12 de Maio DE 2016

O Sentir Sublime: Práxis

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É incomensurável o AMOR que por ti sinto

No abrigo do CARINHO, na redoma da AFEIÇÃO

No maior CUIDADO e ATENÇÃO do meu ser

Em ESCUTA ATIVA, como servente do ZELO

Que por ti se alimenta no fogo da PAIXÃO,

Na frescura pura do tão BEM te QUERER

Iluminado na maior das AMIZADES,

Que encontra na TERNURA o descanso aveludado

A ti dedicada, no prumo da minha HONRA,

Calibrada no CARÁTER, no gume da VERDADE…

Com FRANQUEZA te afirmo o REGOJIZO,

De te poder acompanhar nas cambiantes da vida,

Na ALEGRIA e na TRISTEZA, no RISO ou no PRANTO,

Tamanha a FELICIDADE de te ter por DÁDIVA,

E semear em ti o ABRAÇO e colher o teu BEIJO,

Mesmo que em profano DESEJO,

Consagrar contigo, em SENSUALIDADE,

A FUSÃO dos espíritos, a INTIMIDADE dos corpos.

Entre nós, a absoluta CONFIANÇA, o desnorte dos segredos,

Remidos nos laços da CUMPLICIDADE, na ENTREGA

Da CONFIDÊNCIA, por campos do SORRISO,

Por ledas canduras do concílio da nossa FAMILIA.

Vedo os olhos na CERTEZA de enxergar o quanto te quero,

Na CRENÇA do quanto te venero,

Neste COMPANHEIRISMO que te ESPERA sempre

No refúgio da SEGURANÇA e da DEDICAÇÃO.

Pela tenacidade da CONSTÂNCIA, partilho contigo

Com GRACIOSIDADE, a GENEROSIDADE, da ubíqua PRESENÇA

Pelos caminhos da FANTASIA e da REALIDADE,

Pelo mundo do LABOR e da espontânea BRINCADEIRA

De dois corações,

É contigo que eu partilho o ANELO do FADO abençoado!

 

Tu és muito, sobre o incompleto que eu sou,

E assim me preenches no todo que me equilibra,

Na luz que de ti emANA! :-)

 

Tens o meu coração, tens o meu espírito, cuida-os…

 

Andarilhus

XII:V:MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 07:34
Sexta-feira , 06 de Maio DE 2016

O Sentir Sublime: Doutrina

Para que nunca se esqueçam os sentimentos primordiais...

 

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Andarilhus

VI:V:MMVI

publicado por ANDARILHUS às 18:47
Quarta-feira , 16 de Março DE 2016

Oração Celta: A Gratidão

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[ou o enaltecer das graças recebidas das deidades acolhedoras]

 

          Às deidades da Vida e do Bem

Que me suturaram os pés de errante e penitente

E me desviaram do barranco que desaba até ao poço das diferentes mortes;

Às energias que me desgarraram do chão da derrota e

          que me instaram a resistir,

Arvorando-se em paladinos meus, nas pelejas com as forças demoníacas do Mal;

Às luzes que me arrancaram à cegueira da noite em obscura dor,

E me conduziram por veredas de esperança, tenacidade e resiliência;

A minha gratidão em devoção!

Pela dádiva maravilhosa recebida;

Pela causa resgatada ao Impossível;

Pelo patrocínio em defesa do padecimento sofrido e

          no compromisso de regeneração;

A minha gratidão em devoção!

Por encontrar transcendente escuta que atendeu ao lamento do coração aflito;

Por descobrir mar de bonança e porto de abrigo para este batel despedaçado;

Por granjear defesa de braço firme e atento que me escudou dos golpes fatais;

Por partilhar companhia de valedor puro que me orientou na direção correta,

          nos momentos cruciais.

A minha gratidão em devoção!

Pela dádiva do carinho e do conforto com que aliviaram a minha angústia,

Com que acolheram as minhas lágrimas no seu regaço,

E me deram conselho sincero e renovadas forças;

Pela dádiva da abençoada oportunidade de reunir os espíritos dialéticos

          nos mais belos sentimentos, no Universo…

A minha gratidão em devoção!

 

Louvo humildemente o enternecer e o cuidado que depositaram no resgaste deste ser.

Com alegria,

Obrigo-me a concretizar a minha palavra, obrigo-me a saldar as minha promessas,

          na forma e do modo como me empenhei perante vós, deidades.

E, no fulcro do compromisso,

Recebo a minha missão DEDICADAMENTE,

com toda a minha GRATIDÃO em DEVOÇÃO!

 

Andarilhus

XVI:III:MMXVI

 

publicado por ANDARILHUS às 19:29
Segunda-feira , 22 de Fevereiro DE 2016

Enlevo

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Flor Enamorada,

Vida Perfumada!

 

Andarilhus

XXII : II : MMXVI

 

publicado por ANDARILHUS às 07:46
Quinta-feira , 04 de Fevereiro DE 2016

O ensejo de ressuscitar sem morrer

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(O renovo de cada dia vindouro)

 

Vem até mim, amor,

Esgueira-te por gesta e lavra

Do coração em tanto sentir,

Esgueira-te por entre tormentas e reveses

Panaceia dor; repreende a palavra

De cada vivência mal colhida.

Apenas fardeis felizes traz no teu fugir

E os desejos de promissora vida.

Livra-te de tristeza, receio ou penhor,

De estrelas paridas nas oficinas da léria

E, sem distrações, segue os dedais

Que pelo carreiro enfileirei,

(Com carinho te o ilumino até mim)

Pois eu

Desejo beijar-te com fervor

Sob visco e azevinho

Anseio abraçar-te

Em grinalda de fino linho…

 

Em cada eu

Há uma multiplicidade tua;

Em cada gesto meu

Há mimica da carícia no rosto teu.

Tenho um mundo erguido

No querer-te por Sol e Lua,

Como dedicado esposo,

Como dileto amigo;

Tenho um firmamento escorado

No querer-te agasalhar em ternura

Por noite e dia,

Como abnegado confidente

Como incondicional companheiro.

Não te esqueças…

Sem distrações, segue os dedais

Que pelo carreiro enfileirei,

(Com carinho te o ilumino até mim)

Pois eu

Desejo beijar-te com fervor

Sob visco e azevinho

Anseio abraçar-te

Em grinalda de fino linho…

 

E tu, mulher querida,

Que com a tua própria dor

Expiaste este espírito tresmalhado

Brandindo a revolução e o condão

De me fisgares para a tona

Onde pude reapreciar a vida,

Onde pude resolver renascer…

Por muito que me deste

Não deixo de rogar

Por tua atenção, por tua bondade,

…Por teu amor,

Para que me sigas acompanhando

No renovo a cada dia vindouro,

No ensejo de ressuscitar

A cada dia, contigo… sem morrer!

Por isso, não te esqueças…

Livra-te de tristeza, receio ou penhor,

De estrelas paridas nas oficinas da léria

E, sem distrações, segue os dedais

Que pelo carreiro enfileirei,

(Com carinho te o ilumino até mim)

Pois eu

Desejo beijar-te com fervor

Sob visco e azevinho

Anseio abraçar-te

Em grinalda de fino linho…

(Escuta)

 

Andarilhus

IV:II:MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 07:38
Segunda-feira , 18 de Janeiro DE 2016

Transcende-Te

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Em todos os sonhos

Há despertares para anelos tangíveis;

Em todas as casas

Há portas que se abrem para o Lar;

Em todos os jardins

Há canteiros com fragâncias de paraíso;

Em todos os corações

Há artérias sublimes onde flui o afeto;

Em todos os gestos nobres

Há jeitos de humilde graciosidade;

Em todo o conhecimento

Há reflexos de saber emocional;

Em todas as vidas

Há momentos de sabor a imortalidade;

Em todas as experiências

Há instantes que confrontam a perfeição;

Em todo o bem-querer

Há inebriados arrebatamentos de amor;

Em todas as pessoas

Há sinais da essência do SER Humano.

(Do que estás à espera?) Sê!

 

Andarilhus

XVIII : I : MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 19:44
Quarta-feira , 23 de Dezembro DE 2015

Quando a Criatura saúda o Criador

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Seguimos a Luz e já estamos próximos.

Renova-se o ciclo.

Entra o Inverno

E já aparece a primeira semente que trará a Primavera…

O renovo, a redenção.

E seremos nós capazes de suster o renascer (da esperança)?

Persistente?… Para sempre, é muito tempo

Para o tempo – virtude da perseverança – humano.

Sejamos honestos:

Vivamos como criação que o criador

Apenas conseguiu aperfeiçoar

E dediquemos cuidado, atenção, carinho

A todos aqueles que abraçamos com amor e amizade;

No nosso tempo peculiar

Façamos felizes aqueles com quem partilhamos afetos.

E se o divino não é perfeito, também não o devemos exigir

À criação inacabada

Então,

Sejamos apenas honestos

E por um sussurro do tempo desta existência incompleta

Façamos também os desconhecidos felizes:

Um sorriso, um cumprimento

Um gesto de alento

E talvez alguém recupere semelhante intento

De vontade de sorrir, de cumprimentar,

De animar

O próximo…

Nem que seja por um curto momento,

Ajudemos o criador a afeiçoar a humana criatura.

 

Feliz Natal!

 

Andarilhus

XXIII : XII : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 11:30
Quinta-feira , 08 de Outubro DE 2015

Não se murchem as flores

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Com o cisma provocado pela cisma da lida

Os que muito se amavam

Abriram brecha crescente entre si

Preenchida por um mar negro

De cardumes de fúrias e culpas.

Murcharam as flores da partilha e do querer,

Agitaram-se tempestuosas as águas turbas

Até que Neptuno domou o mar das lamúrias.

E foi então

Que começaram a lançar amarras, a construir pontes entre si,

Entre as opostas margens.

Aos poucos, regressou o diálogo e a partilha, até ao encontro

Bem no centro da ponte mais bela e robusta,

A ponte que firmava tenazmente as duas orlas.

Faltava um derradeiro passo, mas ele disse-lhe:

- “Vamos derrubar as pontes e cortar as amarras!”

Estranho pedido, que tudo parecia deitar a perder,

E ela, com pasmo triste, mais não soube dizer:

- “Se assim o queres…”.

Sorriu, então, o tolo enamorado: - “Quero e quero muito!

Desfazemos as ligações desnecessárias pois vamos encostar as margens!

Unimos as terras, e muito juntinhos, em cumplicidade e carinho,

Trocamos sementes e brisas,

Que farão renascer as flores do nosso amor!”

Ela suspirou com os olhos a brilhar,

Onde refletia já um belo jardim, perfumado e radioso,

O seu Lar, onde se amavam e, em ternura,

Educavam e brincavam com os filhos.

Acabara-se o cisma, jamais murchariam as flores…

 

Andarilhus

VIII : X : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 18:40
Segunda-feira , 05 de Outubro DE 2015

O Mal que vem por Bem

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Quando as adversidades assomam,

Por mais sofrimento que acresça,

Não nos conformamos,

Não nos rendemos à fatalidade.

Nem que de pedra se faça a boia

Para nos mantermos à tona

Nas águas do desespero e da tristeza;

Nem que de chumbo se façam as penas das asas

Para nos mantermos a pairar

Nos pântanos da desilusão e do desânimo;

Nem que de papel de seda se faça a corda

Para nos mantermos suspensos

Nas crateras vulcânicas da aflição e da mágoa.

Insurgimo-nos contra as agruras!

 

Quando os grandes infortúnios assomam,

Somos, realisticamente, colocados à prova

E é então que mostramos o nosso genuíno caráter,

E descobrimos o quanto não nos conhecíamos,

(Apenas presumíamos, até então).

Muitas vezes, de uma Má experiência,

Muitas vivências, das nossas múltiplas dimensões,

Transformam-se em BEM,

E a nossa vida muda radicalmente… para Melhor,

Uma melhor pessoa, um melhor individuo!

 

Andarilhus

V : X : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 07:55
Quinta-feira , 01 de Outubro DE 2015

A Torre

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Desmoronam-se as certezas

Sobre quem somos,

Afinal pode existir Deus,

Afinal esvoaçam anjos à solta,

Para nos darem algum conforto

Nas nossas inexistências

Ou a Luz como um sonho para os nosso tapados olhos,

Ou o movimento de vida para as nossas apagadas mentes,

Preenchemos os dias como sonâmbulos

Inebriados pelo sopro da compaixão lamentada dos divinos…

Afinal forjaram-nos imperfeitos,

Somos peças com defeitos,

Algures, na criação,

Perdemos a universal dimensão

Da pureza do sagrado.

E por isso te digo:

Se eu pudesse enviar-te o meu coração

E te fosse possível escutá-lo diretamente,

Sem a tradução da razão,

(Minha e tua)

Instintivamente compreenderias

O quanto (confirmei que) te amo!

 

E Deus, antes de nos recolher e refazer,

Mantêm-nos em mundos suficientes

Onde adormecemos sem percebermos,

Onde se disfarçam as fraquezas…

Todavia,

Na sua infinita omnisciência

Permite aos não acomodados

A decisão de despertar do sonho induzido.

E assim decididos

Abalados até às convicções primordiais,

Enterra-se o oásis, emerge o deserto,

Até que um dia, mais cedo ou mais tarde,

Sofremos duramente com a verdade:

Encarar a realidade sem o afago do Criador

É uma brutal crueza!

Desde o chão árido

Reconstruo a minha torre

Com a ternura da memória

Do teu sorriso, do teu abraço,

Do teu beijo, da tua doçura e carinho,

Do teu amor…

Por isso te digo:

Se eu pudesse enviar-te o meu coração

E te fosse possível escutá-lo diretamente,

Sem a tradução da razão,

(Minha e tua)

Instintivamente compreenderias

O quanto (confirmei que) te amo!

 

Seria, talvez, mais fácil pedir a Deus

Que me voltasse a adormecer

Descuidar o meu olhar nos oásis aparentes,

Mas não me rendo às forças que te oprimem,

Sigo a caiar de alvura a minha torre

Para que te sirva de farol

Por entre as águas revoltas do diluvio!

E a Deus

Peço-lhe que te desperte a ti

E assim te possa dizer:

Se eu pudesse enviar-te o meu coração

E te fosse possível escutá-lo diretamente,

Sem a tradução da razão,

(Minha e tua)

Instintivamente compreenderias

O quanto (confirmei que) te amo!

 

I : X : MMXV

Andarilhus

 

publicado por ANDARILHUS às 19:25
Quarta-feira , 30 de Setembro DE 2015

Contigo

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http://www.taringa.net/posts/arte/14567016/Contigo-poema-Propio.html

 

Posso estar faminto e sedento,

E estar desprotegido sob a borrasca,

Posso deixar a zona de conforto

E arriscar no desconhecido,

Posso ter um destino atribulado

E uma vida de fraco prenúncio,

Posso perder e encontrar a fé

E ser ostracizado pelos poderes,

Posso perder os agasalhos,

Ficar descalço,

Mas

… Se estiver contigo, está perfeito!

 

Andarilhus

XXX : IX : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 19:18
Sexta-feira , 25 de Setembro DE 2015

S. Bartolomeu (oração)

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https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/27/Codex_Gigas_devil.jpg

 

Quando os diabos se atravessam na tua vida,

Deus já deixou atrás,

Nos teus dias,

As forças para os combater.

Tens de perceber os sinais.

Fica alerta e não te deixes esmorecer,

Pois

Mesmo que tenhas de fraternizar com o diabo

Para resgatares o teu anjo,

Assim o farás com coragem e determinação

Porque esse é o verdadeiro amor.

E mesmo quando tudo parece perdido,

O teu coração agiganta-se

Rompendo com o encantamento ilusório e sedutor

Do diabo

Porque esse é o verdadeiro amor.

Nunca desistas e no limite,

Abre tu a porta do inferno,

Arrasta contigo o diabo para as chamas

E salva o anjo

Porque esse é o verdadeiro amor.

 

Regressem ao inferno, diabos!

 

Andarilhus

XXV : IX : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 19:39
Terça-feira , 22 de Setembro DE 2015

Sem Sós

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Tu estás retraída, magoada,

Cautelosa,

Atrás da barricada…

Tu estás hesitante, desordenada

Com a mão no botão do perdão

Atrás da lágrima baralhada.

Mas,

Tu não estás só!

Recebe o abraço

Desatilha o respirar do nó

Deixa-te cair no meu regaço

E descansa… adormece em tom sereno

(Finalmente),

Sorri na entrada para o sonho ameno

Porque ele não terminará com o despertar.

 

Tu estás apreensiva, insegura,

Receosa,

Atrás do sentido da maternidade…

Tu estás alegre e ansiosa,

Com a mão no botão da confiança,

Atrás da lágrima da esperança.

E todavia,

Tu não estás só!

Recebe o abraço

Partilha a dor do parto

Deixa-te cair no meu cuidado

E descansa… adormece em tom sereno

(Finalmente),

Sorri na entrada para o sonho ameno

Porque ele não terminará com o despertar.

E eu estarei lá e sempre,

Porque o meu espírito

Guia-se pelo teu,

Mesmo pelos mais lúgubres,

Amargos e escuros

Troços que também compõem a existência.

 

A culpa não é minha, não é tua;

É da ilusão, da desilusão,

Perante os padrões de vida que se impõem.

Esqueçamo-los,

Vamos ser só nós…

Pulsa os botões!

 

Andarilhus

XXII : IX : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 07:53
Terça-feira , 15 de Setembro DE 2015

Os tempos do Tempo (Vida)

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Temos um tempo de sabedoria,

Mas também um tempo de imbecilidades

Temos um tempo de luz,

Mas também um tempo de obscuridades

Temos um tempo de oportunidade,

Mas também um tempo de letargias

Temos um tempo de conquista,

Mas também um tempo de derrotas

Temos um tempo de alegria,

Mas também um tempo de desgostos

Temos um tempo de euforia,

Mas também um tempo de silêncios

Temos um tempo de amizade,

Mas também um tempo de confrontos

Temos um tempo de Amor,

Mas também um tempo de aversão.

E contudo,

Temos sempre a escolha

Para determinar

Um tempo que detenha os tempos a tempo,

Um tempo que ganhe tempo

Um tempo de desandar no tempo

Um tempo de arrepiar caminho,

Para (em conjunto)

Corrigir

     E alinhar com o acerto,

Pedir desculpa

     E perdoar,

Renovar os votos

     E soltar o sentimento abafado,

Serenar a dor

     E aceitar o curativo para o pesar,

Abrir o cordel das amarguras

     E deixar empurrar as angústias para longe,

Ter a coragem da humildade

     E reconhecer o humilde,

Olhar nos olhos

     E abrir os olhos para esse olhar,

Dar a mão

     E segurá-la, juntando o abraço,

Beijar

     E retribuir o selo da paz,

Retomar o caminho,

     E acompanhar a seu lado,

Relançar a vida

     E colocar o seu tempo à disposição dessa vida…

 

Andarilhus

XV : IX : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 19:02
Segunda-feira , 14 de Setembro DE 2015

Epifania II

308.jpg

http://s509.photobucket.com/user/kirecado/media/mensagens/anjos/308.jpg.html

 

No seguimento de: http://galgacourelas.blogs.sapo.pt/11199.html

 

Dos anjos e dos espíritos.

Se atendermos que há algo em nós que ultrapassa a nossa constituição física e que nos permite ter reflexões filosóficas sobre a vida e o seu sentido. Se, através da mente, conseguimos viajar no passado e projetarmo-nos no futuro, no tempo e no espaço. Se, no Universo, para a nossa dimensão, é avassaladoramente incomensurável o desconhecido face ao conhecimento. Se, para além das charlatanices – que também existem – por vezes somos confrontados com situações e episódios que a razão não compreende dentro das fronteiras das suas capacidades, e que são mais apercebidas por sensações emocionais e sentidos. Por tudo isto (e mais que agora não elenco) é natural aceitarmos – pelo menos como pensamento ou tese – que esse algo “especial” em nós poderá ser persistente, não perecível, e que pode continuar a existir após o colapso do nosso corpo.

O que lhe chamar? Uns designam de espírito, outros de alma, outros (mesmo que não se apercebam) - parece-me – de ANJO.

Os anjos, ou a nossa permanente existência metafísica, será o espírito a quem é confiada uma missão. Ou seja, os anjos são os seres imateriais em constante evolução por purificação. Para esta construção de pureza e acumulação progressiva da perfeição no BEM, recebem missões de guarda, auxilio, acompanhamento dos seres imateriais encorpados em pessoas, que por sua vez, se encontram também numa vida terrena como etapa para a sua transcendência no BEM. Assim, os anjos e os espíritos, em dialética de partilha, entreajudam-se nesta aprendizagem, neste crescimento, tendo de passar por formas corpóreas consecutivas, até que atingem fases em que, com a purificação crescente, se libertam da exigência física, permanecendo continuadamente numa existência espiritual, de luz, energia.

Este processo de melhoria e purificação acontece através da atribuição de provas, de trabalhos, aos espíritos. Devem ultrapassá-los neste mundo, dentro das circunstâncias de cada instância humana que assumem. Não se trata apenas da atribuição de um corpo; é-lhes também endossado um contexto e um caminho de vida, onde se cruzam com outros espíritos e anjos.

Avento também que o anjo não se limita a vir em auxílio a outro espírito/anjo. Ele próprio é colocado à prova, tendo de demonstrar a sua capacidade, a sua entrega e o amor que assume no desempenho desse apoio, desse companheirismo. O seu cuidado em prol do outro mostra até que ponto está disponível, está disposto a entender, a perdoar, a ajudar a corrigir, a sofrer quando é de sofrer a rir quando é de alegrar… Ser anjo é, portanto, também uma condição de exame, de aprendizagem, de crescimento no mundo espiritual.

Se, nas versões clássicas, se diz que o anjo vem para zelar pelo Homem (no seguimento destas ideias: Homem = espírito numa forma física humana), acrescento a dialética de que o Homem está cá para o anjo exercer a sua natureza e evoluir na sua essência.

O anjo não tem de ser invisível ou possuir aquela imagem tradicional da túnica, semblante nórdico e asas. Pelo contrário, o anjo, tal como os demais espíritos encorpados, tem também uma presença terrena, sendo uma pessoa comum entre os demais. É pelas ações e pelo compromisso que se distingue. Poderá ele próprio não saber que é anjo ou que tem a seu cargo acompanhar um semelhante. De todo o modo, se vigia ou guarda um ser, fá-lo por natureza e não por consciência. Mesmo ignorando-o, tem uma missão entranhada dentro de si, a qual levará avante de forma espontânea. É o amigo incondicional e sempre presente.

E é aqui que me vejo contigo. Tu és o meu anjo. O anjo que foi designado para me ajudar aprender e evoluir na minha condição de ser imaterial. Acredito, também, que esta relação é dialética, e eu serei a entidade indicada para te acompanhar e auxiliar a enfrentares, a passares e a superares as tuas provas.

Sinto também, que esta interação entre espíritos/anjos não se concretiza numa só vida corpórea. Por isso, quando te conheci há já bastantes anos, tive - e julgo que te referi isso, oportunamente – a sensação de já te conhecer de outras “andanças”.

Sinto que tu és o meu anjo dialético e que, queiramos ou não, vamos ainda passar por mais existência(s) juntos, porque fomos incumbidos de sermos o apoio mútuo, os companheiros sem idade, a equipa unida para transpormos as provas que nos vão colocando.

 

Se for este o meu desígnio, a minha missão, é uma honra transcendente ser o teu anjo/espírito de companhia.

 

Andarilhus

XIV : IX : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 19:17
Sexta-feira , 11 de Setembro DE 2015

O Abraço

GatoAbraco.jpeg

http://www.video-divertido.com/data/thumbnails/22/GatoAbraco.jpeg

 

Desconjuntados os ossos

Em músculos laxados,

Mantidos em movimento

Ao som dos cacos do coração

Conduzidos pela alma trilhada,

Desci a escada,

Ainda mais para baixo.

 

Despedi-me do acreditar,

Despedi-me de ti

Sem esperança.

Guinei para a saída,

Mas, por esquecimento,

Regressei

(onde te deixei)

Para galgar a escada até ao topo

E topei-te a ti.

 

Abraçaste-me

Com vontade,

Apertada, com os corações a tocarem-se

Num abraço interior, só seu.

Uniram-se os ossos,

Alinharam-se os músculos

Ao som do pranto doce do coração

Na parada da alma reanimada.

 

Queria assim envelhecer!

Despedi-me da saída,

Despedi-me do desalento,

Agarrei-me a ti

Com todas as forças

Como despenhado em abismo.

Galguei a fuga até ao topo,

Arrisquei olhar:

(não era alucinação)

Continuei a te topar!

 

Mais acreditei;

Beijei-te

Com o desejo da saudade

Tocaram-se os lábios, num beijo íntimo,

 Só seu.

Soldaram-se os ossos,

Avivaram-se os músculos

Ao som do musicar melódico do coração

Sob a batuta da alma radiante.

 

Como a vida pode renascer

Num só abraço…

 

 Andarilhus

XI : IX : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 18:50
Quinta-feira , 10 de Setembro DE 2015

Querer (as estrelas)

mariposa_encadenada.jpg

http://3.bp.blogspot.com/-b8wxmDBlgYA/TqBpYf21i0I/AAAAAAAAANk/xNWyBtJBMX0/s400/mariposa_encadenada.jpg

 

Queria não te querer

Como tanto te quero

Neste querer

Que a mim nada me quer.

E, na verdade,

É como que sem querer

Que gosto de ti,

Porque tanto querer

Me afunda em tristezas

E muito sofrer.

… Mas é mais forte do que eu,

Do que o meu próprio querer…

Amo-te

Assim dizer te quero,

Pois

Para mim és bem-querer,

És toda a minha vida,

Tão querida.

 

Porque não te deixas querer

Da mesma forma desvelada?

E assim querendo

Em igual querer

Deixaríamos de padecer,

Deixaríamos a gesta cansada,

Para nos encantarmos

Num permanente real-querer.

 

Porque não soltas o querer

Que sei manteres aprisionado?

E assim liberto, como o quero,

Acarinhava-o com o coração

Transbordante de querer,

Como está,

Sentinela, a aguardar

O teu despertar

Para o maior dos quereres.

 

Não consigo deixar de tanto te querer…

 

Andarilhus

X : IX : MMXV

 

 

 

publicado por ANDARILHUS às 07:53
Quarta-feira , 02 de Setembro DE 2015

Oração Celta: indulto

oração celta.jpg

http://2.bp.blogspot.com/-PbjSOsVFQ30/UdtiPsJGZLI/AAAAAAAAWRM/3a0BGpneAR8/s1600/ora%C3%A7%C3%A3o+celta.jpg

 

Pelo poder do fogo, da terra, da água e do ar

Suplico às entidades primitivas, criadoras,

Que escutem a minha prece, a minha oração.

Peço às árvores ancestrais que me deem

A virtude da robustez e da força

Para suportar as agruras e os reveses

Que teimam em me prender à má fortuna,

E me tolhem todos os passos que avanço nas areias da indiferença;

Rogo aos ventos experimentados nos 4 caminhos

O caráter da tenacidade e da inconformidade

Para enfrentar e derrubar as paredes surdas e intransigentes,

E que as possa ultrapassar, fazendo chegar a minha palavra ao âmago do coração;

Imploro à Chama Sagrada, de eterno labor,

A retidão para ser verdadeiro, espontâneo, genuíno

E assim consiga incinerar todas as dúvidas, desconfianças, receios

Com que a minha conduta e vontade são recebidas no âmago do coração;

Ao Primordial Manancial Aquífero exorto compaixão

Para com as minhas debilidades, fraquezas, erros

E que me permita tecer um manto de águas de remissão, renovação,

De modo a conseguir refrescar, hidratar os portões do coração,

E assim fazer rodar os gonzos que me conduzam ao seu interior,

Com afeto, carinho e amor.

Suplico às entidades primitivas, criadoras,

Que escutem a minha prece, a minha oração.

Sou granítico, mas em fase de escultura,

Sei que em mim há sabedoria e querer com honestidade e bravura.

Aos louvados, a minha libação e dedicação.

 

Andarilhus

XXIII : VI : MMXV

publicado por ANDARILHUS às 18:44
Quinta-feira , 13 de Agosto DE 2015

Oráculo: A voz que Dita a Profecia

delfos.jpg

http://www.templodeapolo.net/civilizacoes/grecia/imagens/artigos/delfos.jpg

 

Em Delfos, pela voz da Pítia, dito aos idos do mês de Augusto, do ano terribilis.

 

“Padecente

Estás há muito prostrado,

Sobre a terra queimada

Da tua Roma,

Destruída pelo Anjo Negro do destino.

Escutei o teu carpir,

Vi-te tentar levantar os escombros;

Aguardaste por auxílio, recebeste uma única visita: a solidão.

Escondes a dor, mas não de mim.

Acercam-se outros tempos,

A Loba prenha prepara a refundação de Roma.

Aproxima-se Anjo diamante

De esperança,

Uma luz dourada, brilhante,

Que te acompanhará no caminho.

Prepara-te para receber o (verdadeiro)

Abraço sentido, o sussurro apaixonado,

O beijo apaladado, saboreado

Como manjar do querer, do amor.

É hora de deslaçar o sofrimento,

E expurgar os sentimentos sobrevivos

Nas motivações artificiais com que te iam distraindo.

Nada receies, porque o Anjo Negro já vai longe,

E sem sucesso nos seus intentos,

Pois, como Troia nunca deixará de ser

A cidade do amor de Páris por Helena,

Também Roma será a tua cidade eterna.

Prepara-te,

Abre os braços para receber e cuidar da Loba,

Do Anjo Dourado.

Está atento!”

 

Andarilhus

XII : VIII : MMXV

 

 

publicado por ANDARILHUS às 18:55

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