Segunda-feira , 26 de Fevereiro DE 2007

Em Nome de Pai

http://troll-urbano.weblog.com.pt/arquivo/pai.bmp

  

Jamais me encontro só, mesmo que só esteja. Jamais me ausento da vida que é tua e minha de zelo, de fortuna contente…

 

“Olá Pai!; “vrumm’ pai!”; “Popó’ pai!”; “tatos!”… “pai!”, “pai!”, “pai!”… dito e repetido, vezes sem conta, vezes poucas de muitas, em que repousa a audição da alma, que pacifica o ser em texturas macias, ridicularizando as rugas da tristeza, as pregas do azedume… que força o sorriso a saltar da toca, a nascer como o Sol do milagre de cada dia.

Na tua expressão de felicidade eu vejo o meu dEUS, eu ascendo à minha imortalidade! O paraíso está no teu abraço, nas tuas palmadinhas nos meus ombros, no teu rosto de seda acomodado docemente no meu, já áspero e curtido… O império está no teu olhar maroto e na tua expressão de desatenção fingida, sublinhada pelo sorriso de esguelha e tingido por cativante dissimulação…

Nos 20 meses da tua vida rejuvenesci 20 anos da minha e revisitei toda a minha existência.

Estamos ali, tropeços de inocência, sentados, a fazer castelos de areia e fantasia e logo estas se levantam para limitar a geometria da nossa realidade adulta: cidades reais, casas reais, relações reais, labuta real, disputa real, problemas – muitos – bem reais…

Afogamo-nos na opressão do compressor social e bloqueamos no canto do lamaçal do quintal das nossas vivências. Esquecemo-nos ou arredamo-nos de tantas coisas boas que construímos, recebemos e gerámos…

A tempo, logrei acordar para o meu tesouro mais precioso; venci a inércia de mastigar os dias nos mesmos e cansados sabores, para redefinir todos os predicados do mundo, para avaliar bem o primado das verdadeiras prioridades…

Agora que deambulas frágil nos passos que as tuas pequenas pernas permitem, não quero deixar de estar por perto para almofadar o chão onde possas cair; Agora que és senhor da curiosidade, quero estar por perto para te levar às respostas; Agora que te ouço chamar-me “pai”, quero estar por perto para te dedicar o desvelo paternal e te entoar: “filho!”.

Farei tudo para que tenhas o teu tempo, natural e de direito, de filho antes que também tu assumas a responsabilidade de pai. Mostrar-te-ei os caminhos que nos fazem evoluir por entre estes laços de suprema derivação e partilha do SER…

Serei a tua sombra constante, meu Sol incessante. E, para que não fiques tão só neste firmamento de estrelas maiores, dar-te-ei parceiro fraterno para que rejubiles em comunhão e tenhas companhia pronta pelas vias do teu augusto crescimento…

Sentir-te “é bão!” !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

Andarilhus “(ª0ª)”

 XXVIII : II : MMVII
Aura:
música: The Felt: "The Stagnant Pool"
publicado por ANDARILHUS às 18:55
Quarta-feira , 14 de Fevereiro DE 2007

Enamorado

Pedro e Inês

...ou Andarilhus e Colina...

Hoje é o dia do ano em que a maioria das pessoas descobre que tem um coração. E, dentro daquele, arrenda um campo florido a um inquilino, por troca e pagamento em ambiente arejado e em boa saúde do querer e afecto, que se propaga pelo casario, por mais empedernido que este possa ser.

 

Para mim é mais um dia, não carente de comemoração especial. Para mim, todos os dias são dias de enamoramento, eu que tenho febre permanente de paixão... por ti!

Sem nada fazeres, só por existires, deixas-me trémulo de amor e desperto para as maravilhas da vida.

 

Contudo, porque a data assim o inspira, particularmente, deixo-te aqui a minha dedicação, a minha devoção, expressas em simbologia do código escrito e em ideal do pensamento sentido.

 De nuvem de canela a nubente de algodão

 

Adormecido, cai de minha, de algodão pardacento,

Para a tua nuvem doce, de canela.

Despertei, amparado nos teus braços.

Comecei por te chamar “fogo”, de contento,

Enquanto ardia nos teus lábios de flanela

O beijo primeiro onde se emaranharam nossos laços.

 #

Atiçada a chama, e da noite se descubra,

Logo cresceste para flamejante labareda.

Escorracei socorro e o soldado da paz

Para me deixar morrer na paixão da brasa rubra

Sem queixume e ao sabor de dor leda

Porque a felicidade assim me quer, assim me jaz.

#

Soube então possuir um coração marsupial,

Coisa estranha para quem fora senhor do frio.

Amoleci o gelo, acordado por tua melodia selvagem.

Flori e destilei devoção em efervescente roseiral

Vermelho de amor, cálido da alegria do estio,

Para iniciar árdua mas maravilhosa romagem…

 #

Agora que temos confortável fogueira

E depuramos a lenha húmida para longe,

Logremos aquecer um mundo de partilha

No regaço da mais sentida lareira.

Em ti assentarei fé de monge

Sem hábito, sudário ou cartilha.

 #

És minha Bíblia, meu templo de igreja.

Afogo a sede no alambique do teu olhar,

Amanso a fome de carinho no teu afago.

Estarei completo sempre que contigo esteja,

Transcendo-me no teu cuidado, ode de cantar.

A solidão e tristeza, longe de mim trago…

 

…Nubente do meu algodão, agora… alvo 

Jpópulo

XIV : II : MMVII

Não sou Romeu, mas, por ti, não há coração como o meu... vai decorando a casa a teu prazer e conforto, porque adivinho que a vais habitar, muitos e longos anos…

 

Com um beijo de néctares etéreos,

Do teu Enamorado

 

Andarilhus “(ªoª)”

XIV : II : MMVII

Aura:
música: Las Novias: "Enamorado"
publicado por ANDARILHUS às 08:35
Quarta-feira , 07 de Fevereiro DE 2007

O Olhar de dEUS

 

 

...Quando eLE espreita pelos postigos dos Céus e projecta uma luz que rasga a escuridão das legiões perdidas... Como se faz o reencontro?

Eu pensei que tU tudo sabias… Eu pensava que nunca distrairias sobre mim … o tEU pontual olhar. Eu sonhei ser um sonho. Um dos tEUS sonhos mais profundos e rebuscados. Todavia, concebeste-me quase perfeito e deixaste-me abandonado às tentações do pecado. Tiveste crença na fé do homem… E o que é o pecado? Não foste tU também que o originaste, num momento de cansaço e tédio entre tantos afazeres? Quem o lançou ao mundo? … Ou veio, parasitário, num dos nossos bolsos de folhas de plátano?...

Coligi indescritíveis defeitos e acumulei-os nas courelas mais sensíveis e suaves da silhueta imaculada da minha pele primordial. Alimentei, ao longo de séculos cansados, as verrugas da própria mutilação, as feridas da própria perseguição.  Como um cão, ataquei a minha própria cauda, acossado pelos múltiplos pesadelos do remorso e pela lança aguda da consciência em arrependimento.

E a que devo tudo isto? Devo apresentar-tE o relatório da deriva e dos estragos? Devo apresentar-tE a factura dos custos e dos desacertos? Por onde andas? QUE É FEITO DE tI? Cansaste-tE assim tanto com a tUA criação que adormeceste por momentos eternos?

Vem ver como destruíram as florestas para semear cidades; vem ver como sugaram os rios para rasgarem nascentes de esgotos; vem ver como aniquilaram as outras espécies irmãs para criarem clones bio-genéticos… Vem ver a tUA obra… Desperta, em nome do Homem!

 

Andamos sem Norte, andamos tresmalhados. Perdemos o guião inicial; compomos agora as nossas epopeias…sempre sob a concórdia do tema: o conflito!

Continuamos a rumar para o mesmo lado, porque seguimos a mesma vontade: somos as presas e os predadores nesta caçada colectiva!

 

TU que tudo dominas, tU que tudo superintendes e tens os nomes dos dEUSES, do uNIVERSO e da nATUREZA, desce às criptas do homem e sê Homem, para o homem aprender a erguer-se na nobreza e na estirpe divina da tolerância e do respeito pela criação. Ensina-nos, NOVAMENTE, a ler os livros sagrados da vida e nunca mais nos percas de vista. Nunca mais tE ausentes e permitas que a tUA inspiração seja efémera nos nossos espíritos…

 

Tu, que afinal és o Homem ideal, tU que és a áurea da harmonia entre os espaços e os tempos, cumpre aquilo que é tEU fado: conduz toda a existência em humildade e dedicação!

Só tu, HOMEM, senhor dos céus e do mundo, suserano dos fracos e famintos homens e soberano de todos os opulentos e poderosos deuses e divindades, sacerdote máximo das crenças e religiões, pastor mor dos rebanhos zoológicos e lavrador vigilante maior dos ramalhetes vegetais, só tu, te podes salvar, só tu podes ser a arca de preservação da vida…

 

Abre o postigo do céu, espreita de cima e encontra a tua imagem reflectida nos mares da Terra… Poderás então apreciar o teu trabalho…

E... dEUS aqui tão perto...

 

Andarilhus "(ºoº)"

VIII : II : MMVII

música: The Mission: Heaven On Earth
publicado por ANDARILHUS às 08:42

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