Quarta-feira , 28 de Março DE 2007

As bodas de Ninfa

http://metafora.no.sapo.pt/touw_en_naakt_port.jpg

… Pedi licença à montanha para erguer minha tenda de fio de seda.

 

Levei os meus aranhiços tecelões para coser o fio que unisse as estrelas em almofada de sopro, onde te pudesse oferecer o repouso e o conforto da crisálida.

Beijo o ar, para o aquecer na tepidez da ânsia da esperança. Quero que tudo seja perfeito… Tão perfeito quanto o possa conceber… e a imaginação é tão fértil.

Como com o condão de varinha mágica, pelo sonho, tudo posso profetizar, a tudo posso dar forma e ambiente.

Só não consigo antever e definir os contornos da tua reacção e sentir. Todavia, posso adormecer docemente a adivinhá-lo em desejo.

É tão meiga a inocência. É tão plácida na sua pureza. É um distraído contentamento e um contente convencimento. Nela conservamos a criança que já fomos e abrandamos as tensões e as reservas de adulto, em jogos de “faz de conta”.

Com a ingénua felicidade, marco encontro contigo no vértice da montanha, no ponto da união dos mundos, no ponto da fractura da distância. Sigo atarefado, secando os oceanos, arborizando os desertos, trespassando serranias e construindo pontes sobre os abismos, para aliviar a tua passagem. Não quero que demores por empecilhos menores. Segue o trilho de violetas que deixo plantadas… tenho algo a sussurrar-te antes que morra… de emoção.

Pela noite, enviarei os anjos mais luminosos para guarida das tuas passadas. Segue as violetas, mesmo na penumbra. Elas dir-te-ão o caminho sem perigos e sem surpresas.

Porque a surpresa, reservo-ta eu.

Vem prometida, vem ver, do ponto mais alto da simplicidade, o destino que te anuncio.

Parece-me que os aprestos e as vontades se entendem em harmonia. Tudo pronto para a tua chegada! Contratei a Lua, nas suas vestes prateadas de cerimónia, empenhei-me com as estrelas para que lustrassem o melhor dos seus brilhos, convenci a melhor das noites, para construir um santuário natural que respeitasse a beleza e a grandiosidade em que te tenho na minha candura.

Estamos finalmente juntos. Comece a boda dos sonhos! Pozinhos de perlimpimpim, astros em movimento acrobático, um arco-íris nocturno! Melodias de Pan, com coros de Sereias e Golfinhos; danças de pirilampos e cigarras… e eu contigo, de mão dada, recebemos a bênção da mãe suprema – a Natureza. Vou libertar-te numa nova vida. Abrir-te as asas de borboleta e voar contigo para uma ventura a dois…

Penso, logo existo; Sonho-o, logo o faço…

Já tenho tudo alinhavado… espero por ti…

 

Andarilhus “(ª0ª)”

XXVIII : III : MMVII

música: All About Eve: She Moves Through The Fair
publicado por ANDARILHUS às 08:49
Sexta-feira , 23 de Março DE 2007

Os Mestres

Inspiração de cristal dos sussurros dos mestres:

A Palavra teve Berço…

 

 

The Mission

“Tower Of Strength”

You raise me up
When I'm on the floor
You see me through
When I'm lonely and scared
And I'm feeling true to the written word
And you're true to me
And still I need more
It would tear me apart
To feel no one ever cared
For me
For me
For me
You are a tower of strength to me

 

“Garden Of Delight”

I see your dancing, laughing, naked
sweet and pretty face
and the promise burning brightly
in your crystal-shot eyes
your savage, and violent flesh,
the cut that bleeds, the kiss that stings
we're shooting up stars and desperate snows
that fall from shimmering skies, so

Take my hand and lead me
to the garden of delight
take my hand and lead me
to the garden of delight

 

“Beyond The Pale “

Cold still waters running deep
Pale before the eyes
Ravaged
By the hands that feed
Thunder clouds the skies
Drifting with the tid
Floating with the stream
The howling winds have gathered strength
From a wisper to a scream
Sell me down the river
And out to sea
Cast me adrift and set me to sail
Just on last kiss before raising hell
Beyond the pale
Beyond the pale

 

 

Fields of the Nephilim

 

Sumerland (What Dreams May Come)

your tempting me to all of life
and all its pleasure
take me to the dream
to the highs and the depths of my soul
here we free thoughts inside
giving up for giving time
but a world without end
where no soul can descend
there will be no sumertime
how lost lifes been
afraid of waking up
so afraid to take the dream
shapes of angels the night casts
lie dead but dreaming
in my past

 

And There Will Your Heart Be Also

we must suffer
to free our pain
can you help us
to find our way
you're here to stay
stay here in paradise
I'd end this moment
to be with you
through morphic oceans
I'd lay here with you
only to stay
stay here in paradise
only to stay son
lonely from this maelstrom
free are you
from this maelstrom
to be with you

Andarilhus "(ª0ª)"

música: Sisters of Mercy: "Black Planet"
publicado por ANDARILHUS às 23:07

O General Solidão

http://troll-urbano.weblog.com.pt/arquivo/%E0%20espera.jpg

 A solidão do íntimo profundo: a verdadeira solidão… A solidão que cresce ponto a ponto, em malha de aço fundida e depois é difícil de desmanchar…

 

O riso rodopia no ar! Rebentam foguetes de alegria, pintam-se em néon as paredes, as árvores, o céu com tantas palavras, tantas frases, ideias… confidências.

Espalhas-te por quem te rodeia. Diluis-te pela amizade e o conhecimento, misturas-te pelo amor. E todos, uns mais outros menos, pensam conhecer quem és e como o és. E sabem porque o és?

Pelos olhos dos amigos passam as tuas visões; pelos ouvidos dos teus próximos passam as formas mais recatadas do teu ser. Pelo coração dos teus queridos viajam os teus sentimentos; pelo cérebro dos de tua confiança vagueiam os teus pensamentos mais ousados…

E o que sabem eles dos esteios que firmam o teu EU?! Provavelmente… muito pouco… ou mesmo nada, em alguns casos.

Sim… vai à crueza da verdade… Já alguma vez sentiste o impulso de franquear em limpidez o portão do teu tesouro íntimo, mais arreigado à fonte da pessoa que és? O que fazes com tantos sentimentos, sensações emoções, mundanas e etéreas que reténs no cofre do teu segredo? Comunicas? Não?… Guardas nas catacumbas da alma, na vã esperança e na inibida vontade de algum dia, um qualquer arqueólogo de ânimos e vidas, no seu deambular pelos desertos de réplicas humanas descubra, acidentalmente, mais um indivíduo inequívoco.

Entretanto, na maior das euforias dos confessionários sociais, tu, a tua verdadeira criatura, perde-se no esquecimento acanhado e abafado pela nuvem de trivialidades corriqueiras que se cruzam e se trocam nos laços sociais.

Vives conformado na agremiação do cidadão; vives ansioso na solidão interior. Uma solidão maior, a verdadeira solidão a um, invisível, imperceptível àqueles que te poderiam dar a companhia da partilha de todo o mundo que carregas em silêncio.

Corres como um rio interior, marginalmente, pelos subterrâneos do mar quotidiano, sem nunca nele desaguar. Crias para ti, uma imagem, um cartão de apresentação, superficial, polido ao essencial fútil. Andas disfarçado pelas ruas da actualidade.

Aqui e ali deixas escapar algum perfume do teu jardim de encantos. Reagem mal, estranham-te e tu, arrependido e abatido pela audácia, retrais a espontaneidade e retratas-te como se houvesses cometido o pecado do Ser verdadeiro…

Depois tens de escrever estes textos para soltares algumas coisas de ti…

E tu, já te revelaste hoje?

 

É tempo de todos nós darmos um voto de confiança e apostarmos no que, verdadeiramente, somos…

 

Andarilhus “(ª0ª)”

XXIII : III : MMVII

música: Elephant: My apologies
publicado por ANDARILHUS às 08:50
Quinta-feira , 15 de Março DE 2007

Em Nome de Pai: O Segundo!!!!

http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Hangar/4774/milchstr_1_10mil.jpg

 

Como uma profecia do post anterior... mais uns quantos furos na tela escura da noite; outros tantas lanternas de luz pura, rasgadas pelo molde das estrelas!...

  

…resgatado e posto a salvo da fenda pegajosa da crosta tectónica de promessa de solidão eterna, reergueu-se em esperança e vontade de viver.

Agora, já à mercê dos elementos, sobre a pele de uma nova oportunidade, afugentou a descrença e arregaçou o esforçado empenho de construir nova paliçada de resguardo ao espaço de crescimento e de criação.

Começou por demarcar uma nova Oppidum: para Kardo, ousou abalar o sono do afecto paternal, arrancando às garras da frieza o sentimento cálido pelo rebento tratado nos tempos de outras paragens; para Decumano, deixou o coração fluir pela brisa aconchegante do fuego que lhe acalentou a ténue e exígua existência…

Novo espaço, bem traçado, superiormente povoado, ali estava, engalanado e pronto para receber o FUTURO!

Levanta-te, ó vento cósmico dos astros divinos!... Agita-te e traz as sementes da bonança e da calma feliz ao obreiro do mundo novo, ao operário das reparações e acertos das partes desgovernadas e deixadas em abandono!

De cabeça erguida, o estremunhado lança um sorriso na contemplação do poisar doce da ventura sobre os campos que tão bem preparou para acolher as presenças dos entes queridos, suspirados ao destino.

Eis, Eis, uma nova melodia se anuncia entre as pautas excelsas do panteão!

O fruto do amor gerou-se na concórdia e empenho do Homem quando tudo se despregara da parede do mito para planar em brilho pelos nebulosos desígnios do empirismo do recato nocturno de luas suspensas e em expectativa.

Os deuses foram favoráveis às preces; a dádiva celeste é magnífica!!!

Um novo Sol promete erguer-se sobre a minha sorte no cadastro humano!

Já me dizem para quando devo encomendar a estrela, que anunciará ao mundo – secular e sagrado – a boa nova… a minha BOA NOVA!!!!

O meu FILHO! O meu filho já existe, pequenino e ainda no carinho reservado das mãos criativas da mãe-natureza. Logo se fará gente e o apresentarei a seus pares… e nada será como dantes…

O irmão aguarda-o… como o melhor conhecimento que jamais terá, sob a capa de infante inocente e na posse do ceptro de majestade no reino da fantasia e da brincadeira… O poder dos sonhos, em breve, a dois, em duovirato solidário e fraterno!!!!!

A ti, mulher, imaculada de afeição e esmero de cuidado, rendo-me em devoção pela tua generosidade e abundância de alegria com que baptizas este gentio convertido. És agora uma constelação de refúgio e protecção dos meus astros dilectos. És a minha casa, o meu templo, a minha terra… a minha Via Láctea…

Nestes novos domínios assentou tua bênção. Celebrar aqui tudo quanto me fizeste reformar; celebrar aqui todo o manancial de águas doces e puras que trouxeste para o meu mar de descobertas…

Uma libação à fortuna, que tem prestado atenção a tanto meu esforço e a tanto apoio que tenho recebido… Bem-haja a VIDA!!!!!!!

 

E, para quem se encontra no patamar - por onde eu já passei - de negação da convicção que se pode superar os contrariedades ou mesmo as desgraças, digo-vos: Não o sonhei – senti-o na auto-estima –, acredito que nada nos consegue parar. Só nós podemos cair na tentação de desistir de andar em frente… ao encontro do futuro… Firmeza para não nos empurrarmos para a apatia….

 

Andarilhus, “(ªoª)”

XV : III : MMVII

 

Aura:
música: Fields Of The Nephilim: Celebrate
publicado por ANDARILHUS às 08:49

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