Terça-feira , 28 de Abril DE 2009

Enxoval

http://3.bp.blogspot.com/

 

 

Os odores de terra e da fragrância do café,
Misturados na jovem existência
Erma.
Uma alma solta pelo soalho
De muitos mundos e histórias
De contente passar do tempo
Arrancado à árvore do Sol etário
Como frutos únicos, apátridas, não passíveis de partilha…

Os cabelos de ouro, avultados,
Tapam o céu, escondem o abraço
Aos olhos marejados de sonhos
Sempre vertidos pelo chão
Em formas imaginadas de tantas vidas, de tantas aventuras.

E como sobreviveste e conseguiste (re)nascer?

Trago novas (duramente aprendidas)
De bem saber navegar, por todas a águas,
Mais profundas ou superficiais; mais ásperas ou macias.
Trago fardos (sombras de mágoa e desgosto)
Mal acamados, mal fechados,
A ruminar ainda nos desertos da recordação,
A pregar nos campos devastados da crença.

Vejo os cabelos comutarem da tinta preciosa
Para o branco, da tonalidade sábia das vivências.
Cresci com as rugas, com os empurrões,
Chegado às ruas.
Cresci com os lenços das lágrimas
Espremidas nas multidões de gladiadores,
Fiz-me maior, encostado às paredes do apedrejamento!

Mas agora já sabes…
Tens a fortuna de o descobrires ainda…

Visita os deuses que respeitas,
Pausadamente;
Aconchega-te no amor da tua família
Como se fosse sempre a primeira vez;
Entrega-te à dádiva de teres amigos,
Sem reservas;
E não te apegues demasiado
Ás coisa menores, que te arruínam.

Olha agora o céu, estende o abraço
Mas, descobre a vida sem te renunciares a ti.
Não te sirvas para expiação dos castigos da terra,
Enamorada pela fragrância do café…

Andarilhus
XXVIII : IV : MMIX

música: Fields of the Nephilim: Love under will
publicado por ANDARILHUS às 23:01
Sexta-feira , 24 de Abril DE 2009

O Oráculo do Fogo II

...Cá estão eles!

 

Estão todos convidados!

 

Andarilhus

XXIV : IV : MMIX

 

 

 

publicado por ANDARILHUS às 08:57
Terça-feira , 07 de Abril DE 2009

O Oráculo do Fogo

 

Amigos, visitantes assíduos, forasteiros:

 

Há momentos da vida que só atingem o seu real valor se partilhados. Momentos que são como caminhadas: a sós, é demasiado interior; em grupo, é uma expansão do interior e a comunhão de abraços.

Em companhia, muito mais se alcança, muito mais descobrimos sobre nós.

 

É sobre os cumes do humanismo, da camaradagem, da amizade e até da paixão, que hoje vos quero falar, descortinando um próximo evento: o lançamento editorial de “O Oráculo do Fogo”, uma colectânea de textos que se agregaram em livro, procurando contar uma história de vida, que muito deambulou também por este blogue.

 

 Trata-se do privilégio – que agradeço a quem mo concedeu – meu de poder editar uma obra escrita, na qual tive a liberdade de narrar as andanças de um período de vida de grandes mudanças, marcantes. Vicissitudes comuns a muitas outras histórias, a muitas outras experiências.

 

Desta forma, encerra-se um capítulo em mim, com o lançamento desta profecia, no dia 25 de Abril (liberdade!), pelas 22h00, no Bela Cruz (ao fundo da Av. da Boavista, Porto).

 

Em simultâneo, será igualmente lançada a própria editora, “Edita.Me” e um outro livro, da autoria de Filipe Paixão: “Palavras de Mim”.

 

 

 

Ocorrerão, posteriormente, apresentações dos livros, noutros lugares e noutros horários.
 
 
Néon
 
Ser, alienígena no tempo presente, sensível, servo da simplicidade da natureza, crente na essência da fé no humanismo. Inveterado e guloso sonhador e projectista. Exigente na tolerância, democracia e liberdade. Universalista. Companheiro, dedicado e atencioso…
PROCURA…
Semelhantes… Sem condição ou espécie, em cor ou preto e branco, em som ou silêncio, com forma física ou espectro…”
 
In “Natureza H” (VIII : X : MMVII)
 
Abraços e beijos
 
Bem-Hajam
 
Andarilhus
(Jorge Pópulo)
 
publicado por ANDARILHUS às 00:17
Segunda-feira , 06 de Abril DE 2009

O Uivo da Lua

 

http://www.fotosguapas.net/data/media/10/aullido_lobo.jpg

 

Pertence-te, Senhora,
O jardim das trevas delícias;
És o vórtice voraz do olhar noctívago.
Cativas o mais cego de alma;
Beijas o mais espesso de desafectos.
Contudo, nada exiges, nada esmolas…

Pertenço-te, Senhora,
O grito uivante por tua magia.
É com gravidade solene que agitas
Estas passadas rápidas em tua demanda,
No ponto mais alto do penedio.
E nada me prometes, nada me negas…

#

Pertence-te Feroce Bestia,
A luz primeira que estalou na noite;
Reino cálido dos odores da quanta obscura herança.
Pertence-te a vida que te oferto
Sustentada por um límpido e dúbio destino sem prazo.
Dodecaedro sem faces, espelhado nas teias que te lança,
Ao mistério do meu caprichoso sentir que te pertence.

Não deixes que a obscuridade entre em teus canutilhos
Semeie o feitiço que te enlaço, enchendo-te de presenças minhas palpitantes.
Segura-te aos fios - halo, inconfundíveis do meu dossel de farrapos,
Frondosos brancos pespontos de goma fresca sob a almofada que te pertence.

#

Sou lobo encantado, adestrado ao teu feitiço,
Cansado pela espera da passagem dos dias,
Fero pela chegada do breu estrelado
Que te destaca, majestosa, de crescendos e cheias
Em véus de luz que de ti depuro… até que
A madrugada me fere com as presas da despedida.

Mas, pelo crepúsculo, repetidamente, corro serras, furo giestas
Rasgo-me do chão de carqueja, por outeiros
Cada vez mais escarpados e sobranceiros.
…Para trás fica pátria, a tribo e a prol.
Não resisto a místico deambular,
Na hora em que contemplo no zénite,
A centelha do meu mundo iluminado!

#

Pertence-te, Feroce Bestia,
O aquoso bosque dos sonhos;
Uivo que me estremece e me faz vibrar.
(Desliga o interruptor)
E às escondidas, estendemo-nos na ramagem,
Estremecendo a caruma seca no vale subjugado ao luar que te pertence.

Pertence-te, Feroce Bestia,
O frio rasgão da tua unha plena de saberes,
O fluxo ardente das tuas veias nos meus minguantes e novas,
Ao seres vida oferecida na magnitude da minha ressurreição…
Que não me pertence.

###

No reencontro, a calma e o deslaço
Do amordaçado grito de alegria
Em soturno e arrepiante compasso.
São cânticos desajeitados, de fantasia,
Que, no desejo de ser coruja,
Elevamos no ar o encurtar
Do espaço que nos aparta do abraçar…


MariaTreva Flor
Andarilhus
XV : III : MMIX

 

NOTA: Este texto foi primeiramente publicado no Worldartfriends, como resultado da colaboração dos autores, em sede de concurso de poemas elaborados em dueto.

publicado por ANDARILHUS às 23:50

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