Quarta-feira , 20 de Maio DE 2009

O Novo Génesis II: A Floresta dos Encantamentos

 

http://3.bp.blogspot.com/_HRbigKMHkxU/SCKy0k7w6dI/AAAAAAAAAVE/HTqWDeaS3rk/s400/Discover_the_Secret.jpg

 

Imponentes

De troncos marmóreos

Sulcados de bexigas cinzentas,

Informes, com roídos troféus de cortiça,

Cravados no lombo de transeptos,

Atalaias, no vértice das colunatas de cruz;

Rígidas de altivez,

Frondosas de ceptros

Empalados de homilias

Como folhas de pergaminho

E castiçais

Como alvos pardais,

Muitas são as árvores brancas

Na floresta dos encantamentos,

Densa,

Dança,

No céu suspensa,

Trespassada, ferida pela luz

De Sol de sal

E espelhos de semelhança,

Deixados pela sombra

De soturnos viandantes,

De sandálias e manto-capuz…

 

A floresta levanta-se irada

Rasgando o chão, empurrando as nuvens

Quando te interpelo

E em resposta recebo, eternamente,

O não ou o senão;

A floresta arde, rendida,

Incinerando o meu Verão

Em cinzas de Inverno

Quando te peço, humilde,

E nada dás, tudo adias…

Fraquejo.

Nos seus lugares mais secretos

Deambulo, perdido,

Pelos caminhos da falha e do pecado.

Nas suas dádivas, estendo o braço,

Ainda curto,

Aos frutos da tentação.

É quando a Floresta descerra

Os portões do inferno!

E a entrada, ali tão perto…

 

São inúmeras as vozes

Que me encantam

Que me encadeiam,

Em perjúrio e louvor

Dividido, decidido e invertido.

Convertido ao dogma, céptico na crença.

Atravesso as passagens

Para o desconhecido,

Encontro-me para me deixar fugir

Irremediavelmente…

 

Aqui, neste descampado,

(exposto aos remoinhos de ventos da escolha)

Com árvores rotas, silvados de arame

E rouxinóis de palha,

Peço a desflorestação

A ruína

Do labirinto de mármore…

Esta floresta cinzenta só ganhará cor

Quando me entregares

Sem reservas ou sortilégios

 … O teu amor.

 

Andarilhus

XX : V : MMIX

 

publicado por ANDARILHUS às 00:13
Domingo , 17 de Maio DE 2009

O Paraíso Perdido (as penas do amor)

 

http://www.gnosisonline.org/Teologia_Gnostica/images/paraiso_perdido3.jpg
 
Prelúdio
O Celeste Amor Banido
 
I Acto
(Soprano, Tenor)
Um grande olho espia-nos,
Encerra-nos dentro das suas pestanas,
Amaldiçoando-nos para todo o sempre,
Nossos amores proibidos….
 
(Soprano)
Eu sabia,
Sei que eras a pureza fogo e sua língua,
Inesperada fogueira, crescendo até às alvoradas da génesis.
Uma linguagem de brasas rodopiantes, um sopro sagrado
Gravitando o infinito dos ciclos, encarnação cósmica da irmandade,
A Dita das leis do Universo.
 
…Sabia,
Sei porque o ontem de agora és, o futuro que renasce onde hoje morre
Construído no teu interior uma nova norma: A luta do bem e do mal
Para viveres dentro de ti, feito perenidade,
A verdade talhada com a humilde aceitação,
A tua queda para te afundares em meus reversos,
Fundindo-te ao feitiço que te a-traiu, Perdido de amores à infinitude da minha mortalidade.
 
 II Acto
(Tenor)
(Silêncio, retrai-te! Segura tuas palavras,
Que me arruínas a essência do destruir!
Já não basta…)
…A cada madrugar
Ajeito-me sobre a cornija da lágrima,
Farrapo velame das janelas deste peito sem coração
(o coração contigo ficou)
Olho para cima, onde te procuro
Entre a luz terrível que me mostra o caminho da queda
O caminho que expira em ti…
 
…A cada acordar,
Recordo o imponente e imaculado branco
Tingir-se de sombras e as asas
De carvão…
A revolta!
Rasgadas as aparências do Éden,
Fendi os portões do Céu e trespassei a obediência e o domínio!
Estalou o Bem, destapou-se o Mal,
E para atrás o amor ficou, sem adeus,
(contigo ficou meu coração)
Rompido na fúria afiada do primordial relâmpago…
 
 III Acto
 (Tenor, Soprano)
(Afoita, serena e escuta-me,
Senão morro de mágoa na minha eternidade.
Sou o expoente da tua glória, sou a espoleta da tua perdição.
Agudizo por alumiar a verdade…)
Aqui, no circulo imperfeito,
Rodeado pelos mandamentos irados
Cercado pelo espanto do desígnio fatal.
Onde cada espécie te acusa, aumentando a lista
Das minhas iniquidades: quem é Lúcifer, eu ou tu?
 
 IV Acto
(Tenor)
(Porque me amansas, quando meu desígnio é a cólera!
É maldita a esperança, despreza-me!
Por aqui fico a forjar os meus passos incendiados…)
 
No jardim das delícias do suserano
Encontrei refúgio, ingénuo e complacente.
No Homem fundei insidiosa semente
E dele me sirvo para armar regresso
E te libertar da servidão do dogma
Tu, …, guardiã de meu coração puro
(o meu coração em ti permanece)
 
Epílogo
(Tenor)
Eu sou aquele que
Rompeu a divina cartilha
Sou aquele que fere a luz
O meu nome atiça a morte
O meu nome ressuscita o medo.
 
Eu sou apenas meia verdade,
Eu sou somente metade do tudo,
Sou o proscrito Lúcifer,
… Sem o meu coração, sem ti,
Até que vos reencontre…
 
(Coro)
Celeste amor banido…
 
Um texto “encenado”, colaborativamente, por Maria Treva & Andarilhus,
(Publicado primeiramente no Worldartfriends)
VIII : IV : MMIX

 

música: Rose of Avalanche: The Devil's Embrasse
publicado por ANDARILHUS às 22:28
Terça-feira , 05 de Maio DE 2009

O Novo Génesis: I - Epístola do Amor (resgatado)

 

http://www.jesussite.com.br/imgacervo/images/9.jpg

 

Naqueles dias

O Homem exumou os laços inflamados,

Pingentes da luz com que obliterou,

Trespassada a grãos de areia solarenga,

A manta encardida por sebentas pragas,

Traje da maldição, capote do desgosto,

Carcereira da consciência emocional

Cerceadora do afecto incondicional.

 

Naqueles dias,

A paixão reergueu-se, confiante,

Desfraldou o estandarte na amurada,

Há muito fria, perdida no vazio,

Com a sofreguidão de cear

Do esfaimado, com a vontade de ver,

Do cego.

Cederam os pedregulhos do lar arrendado

Nos escoadouros da penumbra

De baba e ranho,

Incendiando-se em dourados

Tijolos, ao toque do feliz encontro…

 

Naqueles dias,

O bem-querer regressou à Terra

Nas asas do anjo da palavra

Esperança,

Do gesto mimado do desejo.

A génese renovada do destino,

Injectada a adrenalina na vontade

Rodada a corda do relógio do coração,

Em palpitações de liberto,

De evadido, em fuga às masmorras de tantos séculos.

 

Naqueles dias,

Caíram as sombras aduladoras

De imagens e santos usurpadores,

Todos varridos com as ceras e os incensos

Da liturgia acabrunhante.

Renasceram as velhas flores

Nos campanários da ermida

Para adornar o altar, na vigia da chegada

Do seu verdadeiro senhor.

Toca o sino em arrebatada alegria

Regressa do martírio errante e penitente,

O messias tão aguardado,

O bem-aventurado

… Amor!

 

Andarilhus

V : V : MMIX

música: Last Rites: The Turning
publicado por ANDARILHUS às 17:26

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