Segunda-feira , 26 de Outubro DE 2009

O Castanheiro

http://3.bp.blogspot.com/_gX2hm3QuRUQ/R8NPk_aG_1I/AAAAAAAAABs/HPFRtEiO_9k/s320/castanheiro.jpg

 

Pelos teus campos de Outono
De terra lavrada, tenra, fresca,
Chãos de soutos seculares,
Passeias majestosamente, no passo
De quem já correu todos os ciclos
Das estações, das experiências, da vida.
Ou quase todos…
És farol hirto e desperto
Em dias de nevoeiro,
Agitando os braços de abrigo
A tresmalhado companheiro.
Assim, imponente castanheiro,
Semeado por vento quente
E chuva fria,
Firme, resistente, ardente,
Cerrado nos teus arbustos de arnês
Guardas os segredos dos pássaros
Que no teu cuidado repousam.
E quando se arrasta marasmo dia
Por longo sono que não se atura
Sacodes o tédio e o pó dos calcanhares,
Despes o casaco de ouriço
E desces castanha madura
Para festa ou eloquente reboliço!
Solta-se, então, o aroma do teu enleante feitiço…

Dedicado…

Andarilhus
XXVI : XX : MMIX
publicado por ANDARILHUS às 22:05
Quarta-feira , 21 de Outubro DE 2009

Opus Magnus

 

http://www.nationalgallery.org.uk/upload/img/michelangelo-dream-human-life-NG8-fm.jpg
 
Ingénuo e visionário
Sulca a dimensão do mundo
Ao alcance da sua mão.
Desafia-se e temerário,
Estranho à cautela,
Dá-se à feição da penhora
Como petisco
À usura de esfaimados grifos.
“Dai-lhe o engodo,
Engordem-no de ilusão,
Empertiguem-no de confiança!
E logo que crente
Apunhalem-no com delicada lentidão,
Tracem-lhe na alma
O cruel mundo decadente…”
 
Perdem-se as causas,
Perdem-se os amores…
 
Humilhado e indiferente
Não resiste todavia
A elevar-se do pesado chão.
Alenta a mão trémula
No sulco de novo mundo,
Novas contidas fronteiras,
Para além da tábua esguia
Do seu prematuro caixão…
E quando, arrancado do fundo sombrio,
Cresce calejada centelha,
Ergue-se em autêntico ser
Enquanto para si murmura
(enquanto para mim murmuro):
“Vive dignamente,
Vive apaixonadamente,
Vive graciosamente,
Sempre!
E morre
Uma ou mais vezes
Em repouso contigo mesmo.
Na sofrida revelação, experimentaste
Que até com a cartilha do pérfido
Se pode ensinar o Bem
Porque
A obra maior do ser humano
É aprender a viver
E honrar a Vida com saber.”
 
Andarilhus “(º0º)”
XXI : X : MMIX

 

publicado por ANDARILHUS às 17:47
Sexta-feira , 02 de Outubro DE 2009

Indolor

 

http://farm1.static.flickr.com/66/199059492_3dec7ee184.jpg
  
Quando em ti morar a dor
Sai,
Visita uma flor.
Dá-lhe mimo,
Um afago de saudade
Um toque acolhedor.
Apazigua assim o teu sofrer
No sorriso de odor
Doce e encorpado
Como o de um enternecer
Abraço amigo
Longo, perseverante,
Que mitiga o padecer…
 
E se num qualquer alvor
Escutares
Á tua porta
Alguém soluçar
Carregado pela Dor
Dá-lhe abrigo,
Dá-lhe vento,
Dá-lhe mar
Um beijo cobertor…
Entrega-lhe humana atenção,
Dedica-lhe fraterno amor.
Lembra-te que também
Lá bem no pêndulo
Do coração
Tu podes ser
Uma flor…
 
Andarilhus
II : X : MMIX

 

publicado por ANDARILHUS às 08:43

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