Quarta-feira , 29 de Julho DE 2015

O sonho de Lázaro [quimeras]

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Ver-te sair de mim,

Como o espírito abandona o corpo

É a mesma mortificação

A mesma dolorosa separação

Da sombra que abandona a luz

Descobrindo o vazio.

E se o Sol irradia até ao chão

Sem esbarrar em obstáculo,

É porque alguém desapareceu

É porque alguém se volatilizou

Na indesejada existência,

No nada dissolvente.

Ver-te verter para fora de mim,

Como a maré se torna vaza

É a mesma perda

A mesma dolorosa derrota

Do mar sem fundo,

Escoado e fragmentado

Em ondas pela inércia atmosférica.

E se os mares se suspendem no céu

Sem se precipitar na ínfima gota,

É porque alguém revirou o mundo

É porque alguém trocou as chaves do ser

Para trancar a realidade,

Para não perder o sonho de outro destino.

 

E o Lázaro amortalhado sem afeto e carinho

Vindimado na maturação do sonho,

Suspira por aquela voz que o chame:

Levanta-te Lázaro,

Levanta-te e caminha comigo.

A tua hora, a nossa hora, ainda não chegou;

Temos mais uma mão cheia de eternidade

Para apaziguarmos as dores,

Beijarmos a esperança dos sorrisos,

E para reconstruirmos o nosso mundo.

Vá, tonto,

Desce os oceanos aos fundos abissais,

Reaviva a tua sombra sob a luz pura do Sol,

Reintegra o meu espirito,

Desterra o corpo

e

Reentra no teu tão querido sonho real!

 

Andarilhus

XXIX : VII : MMXV

JP

2015.07.29

publicado por ANDARILHUS às 18:45
Sexta-feira , 10 de Julho DE 2015

Conciliar os ventos cruzados

passaro ferido2.jpg

 

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Vejo-te

Emaranhada na penumbra.

Quero puxar-te

Para onde te escute

E te observe profundamente,

Para onde te possa sentir respirar.

Deixas-me suspenso,

Num efervescente vento.

Só te contemplo ao longe

Pareces derivar em afastar…

E no rodar, vais mostrando as dores,

Os espinhos, que não queres desenraizar.

… Achega-te, mesmo que fira as mãos

No arrancar dos cardos que te vão trajando!

… Deixa-me achegar, mesmo que esfacele os dedos

No escavar dos vidros quebrados que te vão tumulando!

Serão menores os flagelos ensanguentados

Do que esta angústia de espera

Preso no tempo, preso no vento…

Aqui contigo, aqui sem ti

Com tudo ao alcance dos braços,

Sem nada que abrace,

Não sei se vivo ou sigo em mortalha…

E, enquanto esvoaço,

Como pardal caído do seu beiral,

Chilreio por ti…

… baixinho, para não te ferir

Nos teus silêncios.

 

Confesso que já se me cansam as asas,

Confuso, sem saber onde pousar.

Mas resisto, e assim continuarei!

Acredito, confiante, na pequena centelha

Que acende o arco-íris após cada tormenta.

Anseio que destapes o teu céu

Para o pintar de múltiplas cores!

Dá-me luz, dá-me ânimo

E tingirei as sombras do teu coração

Com os pigmentos da felicidade!

 

A atenção, o carinho,

Afugentados outrora,

Por semelhante desatenção,

Pela mesma dita indiferença,

Regressam, repatriados.

Façamos o percurso inverso

De encontro ao ponto de onde,

Em sorriso entrelaçado,

Partimos para a nossa odisseia.

Vejo-te ainda emaranhada

Mas peço-te que amaines os ventos

Dá um passo para fora de ti,

Para fora da penumbra.

Reconstruamos o beiral,

Onde possamos poisar

E retomar a composição de uma vida…

 

Andarilhus

X : VII : MMXV

publicado por ANDARILHUS às 07:52
Quarta-feira , 08 de Julho DE 2015

Placebo: Oração celta pela libertação

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Deidades,

Entranhais o ERRO na carne e no sangue.

Mas, já entendi o porquê de nos criardes assim,

Imperfeitos:

É a prova, a escola do nosso percurso…

Tenho consciência das minhas falhas,

Jamais premeditadas ou

Com intenção de causar dano aos outros, a mim…

Lamento todo o sofrimento que os meus erros provocaram.

É com eles que sigo em aprendizagem

Peregrino pelo aperfeiçoamento do meu ser.

Cresci, melhorei (tenho essa consciência).

Mas, também sei que jamais aniquilarei o erro

Porque é profissão de vida

Sempre apreender.

Estou atento:

A cada erro deve surgir uma lição;

A cada lição deve surgir uma interpretação;

A cada interpretação deve surgir uma correção.

Sobe-se um patamar na nossa existência,

E com ele, um novo nível

Na nossa presença na existência dos outros…

.

Aqueles que se distraem dos seus erros,

Continuam sem entrar na real academia da vida,

Fechados em si, fechados num autoconvencimento artificial

De perfeição, de exemplo imaculado;

Não admitem que,

Se negas o erro ou subestimas o seu potencial positivo,

Sofres porque não aprendes a crescer com ele,

Devoras-te em guerras internas, maquiavélicas,

Porque não passas a renovado patamar da tua existência;

Definhas em autoflagelação,

Porque vais acumulando a dor, a raiva, e delas te alimentas,

Em todas as tuas decisões e comportamentos.

Deviam despertar e saber que:

Se aprendes a conviver com os teus erros,

E deles tiras o proveito da elevação pessoal,

Reconheces nos erros dos outros

Igual oportunidade, e os respeitas,

Mesmo que te tenham sido dolorosos;

Ignorando os teus erros,

Jamais desculparás os erros dos outros

Serás irredutível e surdo aos apelos do perdão,

Desenvolverás a ira, mesmo sobre aqueles

Que outrora abraçaste em amor…

E os que padecem desta perturbação

Ficam tão sufocados que

Entendem ser mais fácil desistir,

Deixar para trás os erros,

Os próprios e os dos outros;

Procuram, simplesmente, apagar a mágoa,

Sem a tentar vencer

(como se tal fosse possível!!),

E emigrar do seu mundo, das suas relações,

Das suas responsabilidades,

Dos seus sentimentos.

Perdem a coragem de persistir,

Entregam uma vida ao abandono

Para não dar muito trabalho….

.

A sabedoria da Fénix,

Em morrer para renascer,

Aproveitando cada erro para uma nova libertação

Dentro do MESMO ser,

Dentro da MESMA vida,

Dentro do MESMO contexto.

Isto sim é crescer!

Isto sim é ter a valentia de uma plena existência!

.

Louvado seja o erro.

Louvado seja a luz que nos ilumina

Para bem lidarmos e aprendermos com o erro.

Assim o desejo, intensamente, para ti…

 

Andarilhus

VIII : VII : MMXV

publicado por ANDARILHUS às 07:46
Terça-feira , 07 de Julho DE 2015

A Demência da Teimosia

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 http://3.bp.blogspot.com/_pOR1o2B8Vok/SvNVcIXJRtI/AAAAAAAAAmY/j8vPjvrKyfI/s400/LOUCO_POR_TI.jpg

 

Remar, remar, remar

Com o barco encalhado

Em atol de densos enigmas,

Encharcado em incertezas e intimidações.

Correr, correr, correr

Descalço, sôfrego,

Sobre os cacos esmigalhados

Das telas esquecidas, banidas,

Sangrado o coração vencido.

 

Ensandeceste?!

Abriste a porta ao diabo

Que te dirige

Como marionete do destino?!

Desperta!

Respira, respira, respira,

Esfumaça a loucura,

Exorciza as forças malignas

Que te sopram ao ouvido,

Que te latejam na mente…

Desperta!

Desperta!

 

Não te deixes vencer pela fantasia,

De vida mais cómoda,

De advir de facilidades,

De amores de galanteio,

Por sonhos que te impingem

Para te levarem…

Não te iludas com terras prometidas…

 

Remar, remar, remar,

Sempre

Nem que se calcinem os remos.

Submergir o atol; colar os cacos.

Correr, correr, correr,

Fulminante,

Para enxotar os enigmas, as dúvidas

E calcinar a ferida rasgada no peito.

 

Desperta!

Respira, respira, respira,

Esfumaça a loucura,

Exorciza as forças malignas

Que te sopram ao ouvido,

Que te latejam na mente…

Desperta!

Desperta!

 

Não te deixes convencer,

Pelas vozes

Que te oferecem alvissaras,

Que te seduzem com acenos de felicidade

Que te cativam com comoções, desassossegos,

Que te juram um reino e um trono de rainha…

 

Cuida

Que a demência da teimosia

Gera desfechos imprevisíveis,

Avança impiedosamente,

Afeta a vida de todos aqueles

Que nutrem verdadeiro querer e se preocupam

Com o teimoso.

 

Respira, respira, respira,

Desperta deste maldito pesadelo!

 

Andarilhus

II : VII : MMXV

publicado por ANDARILHUS às 19:20

BI

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