De Olhos Fechados...

 

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Entra com calma. Fixa-me com serôdio desviar de atenção. Cerra os olhos para que possa ler o teu rosto. Com esse olhar assim intenso embaças qualquer iniciativa, anoiteces o brilho do sol. E eu, eu fico irrequieto e sem bolsos onde meter tanta multiplicação de gestos disparatados das mãos.

Abranda, recolhe essa cor de folha de Outono que cora os teus feitiços íris, amansa a tua retina de poderosa prisão. Não apertes tanto a dominância da tua presença, deixa-me espreguiçar na tua contemplação. Silêncio… não reprimas a minha ousadia de te observar, não me encandeies com essas duas chamas morenas…

Porque me olhas assim?! Acaso buscas encontrar em mim algo que há muito procuras em ti? Propalada aventura a de esperançar conhecer o outro…

Subtrai-me da tua visão. Vem no escuro do salto relâmpago. Entra directa no coração. Não fites os portões da afeição silenciosa; invade de imediato o átrio, a sala o esconderijo daquilo que sou.

Ou então, acerca-te de fininho a assobiar para o céu de cima e deixa-me a admirar o paraíso perante mim, a deusa que em ti acarinho, a mulher que em ti admiro. E se assim for, não haja pressa… entra com calma. Deixa-me saborear o movimento preguiçoso das partículas inertes enquanto assentam na tua magnífica figura, na tua imaculada pele. E não me ofusques! Mantém esses olhos longe dos meus, que eu morro ou fico petrificado, medusa de bem-querer!

Porque me olhas assim?! Acaso buscas encontrar em mim algo que há muito descobriste em ti? Propalada aventura a de esperançar reconhecer no outro…

Está bem! Trespassa-me pelas tuas centelhas de chocolate amêndoa e aferrolha-me em castelo de mel! Deixa-me correr nas planícies trigueiras que fantasias desde os teus mirantes graciosos…

Mas, galga também as escadas até ao topo do meu observatório. Tu dás-me um mundo de estrelas… eu te darei as estrelas deste mundo…

Vá lá, porque me olhas assim?! Acaso buscas encontrar em mim algo que há muito desconfiaste existir? Propalada aventura a de perseguir os sonhos…

 

Andarilhus “(º0º)”

VIII : VIII : MMVIII

música: Roretta Stone: An Eye For The Main Chance
publicado por ANDARILHUS às 21:51