O Canto Escuro

 

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Ecoa a sineta,

Choraminga na porta,

Como gato em busca de calor,

Voluptuosa balada de sedução,

Esguia comichão de gulodice…

Não lhe resisto.

Entrego-me.

Lutei,

Com fogo e argumento,

Vento demolidor

E poderosa reza.

Cai,

No covil achincalhado

Do pedinte

De mão recolhida

Sobre o coração.

Não me amparaste

A aferrolhar a porta

A arrancar a sineta.

E ela, do lado de fora,

A insinuar-se

No baile do cisne

Em lago de sede.

Entrego-me… não lhe resisto.

Lutei,

Com ideais e crenças

Com submissão e altruísmo

Por tuas fraquezas e adiamentos…

Cai

Num poço sem água,

Onde o cisne melhor encanta,

Na teia da entrega

Da coroa do reino a conquistar.

Não me amparaste a queimar a porta,

A abafar o sussurro do lado de fora!

Não me animaste a quebrar o sinal

Daquela que me quer enredar.

Toca a sineta para a morte lenta…

Sem ti, não lhe resisto.

Entra, entra solidão, entra de uma vez!

Abraça-me em prisão,

Cerca-me de areia em ilha de apatia.

 

Andarilhus

XV : X : MMVIII

música: Dead Can Dance: The Carnival is Over
publicado por ANDARILHUS às 17:45