Protege-me com tuas lágrimas

 

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Atiça a chama que te anima

Em fulgor insubmisso

Entra

No labirinto escuro

Suspenso nas águas turvas

Do mar da minha tristeza

Guia a bênção

Para os altares e nichos

Profanados e despidos

Ocupados por santos ímpios

Exilados no templo ruinoso

Do meu confuso pensamento

Entra

Traz à noite o mel dos deuses

Adoça as papilas agruras

Dos meus dias de fúria

E

Guarda-me em cuidado

Na concha de tuas calejadas mãos

Na sombra atenta da tua clara vigília

Sempre que me topares

A enclausurar ventos em gaiolas de plástico

Sopra-me as passadas

Na tua mestria de lente de estrelas

Na calmaria das águas de teu timão

Sempre que me descobrires

A capturar tornados com redes de borboleta

Segue-me com pacientes travesseiros

Na tua constância de aconchego

Na tenacidade consorte que garantes

Sempre que me surpreenderes

Equilibrado em arames de filigrana…

E

Se te cansares

As tuas lágrimas serão gotas de orvalho

Derramadas sobre as pétalas sedentas

Do meu resgate às presas do alheamento

Para então me redimir

Com os rituais de amor e carícia

Que te quero consagrar.

 

Andarilhus

V : II : MMIX

 
publicado por ANDARILHUS às 09:13