Enxoval

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Os odores de terra e da fragrância do café,
Misturados na jovem existência
Erma.
Uma alma solta pelo soalho
De muitos mundos e histórias
De contente passar do tempo
Arrancado à árvore do Sol etário
Como frutos únicos, apátridas, não passíveis de partilha…

Os cabelos de ouro, avultados,
Tapam o céu, escondem o abraço
Aos olhos marejados de sonhos
Sempre vertidos pelo chão
Em formas imaginadas de tantas vidas, de tantas aventuras.

E como sobreviveste e conseguiste (re)nascer?

Trago novas (duramente aprendidas)
De bem saber navegar, por todas a águas,
Mais profundas ou superficiais; mais ásperas ou macias.
Trago fardos (sombras de mágoa e desgosto)
Mal acamados, mal fechados,
A ruminar ainda nos desertos da recordação,
A pregar nos campos devastados da crença.

Vejo os cabelos comutarem da tinta preciosa
Para o branco, da tonalidade sábia das vivências.
Cresci com as rugas, com os empurrões,
Chegado às ruas.
Cresci com os lenços das lágrimas
Espremidas nas multidões de gladiadores,
Fiz-me maior, encostado às paredes do apedrejamento!

Mas agora já sabes…
Tens a fortuna de o descobrires ainda…

Visita os deuses que respeitas,
Pausadamente;
Aconchega-te no amor da tua família
Como se fosse sempre a primeira vez;
Entrega-te à dádiva de teres amigos,
Sem reservas;
E não te apegues demasiado
Ás coisa menores, que te arruínam.

Olha agora o céu, estende o abraço
Mas, descobre a vida sem te renunciares a ti.
Não te sirvas para expiação dos castigos da terra,
Enamorada pela fragrância do café…

Andarilhus
XXVIII : IV : MMIX

música: Fields of the Nephilim: Love under will
publicado por ANDARILHUS às 23:01