Metamorfose

 

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E se o meu mar se encolher,

Corado, tal rosto de sal,

Ao aceno ainda longe,

De teus braços de sereia,

Ciprestes de cascatas brandas,

Logo, em maré vaza, se abrirá a discorrer,

Os seus segredos de areia,

Revelando o limbo de comungada foz,

Quando em mim decidas mergulhar,

Profunda, com teu sorriso fatal,

Como se eu fosse

Murmúrio de búzio

Pronto a ressoar

Que eu e tu, somos nós…

 

E se o meu peito se estender

Cheio, tal relevo de coral,

Ao teu pedido de aconchegar,

Enxugada pelo conduzir correnteza

Do rio que trazes em fortuna,

Logo, em respirar forte, se destapará servil

A praia de seda, tua alcova, teu leito

Onde teus braços de sereia,

Catedrais do querer perdurar,

Embalam as palmas dos céus mareados

Como se eu fosse

Zumbido de esperança

Ansioso a vociferar

Que o eu e o tu já não existem…

Somos nós!

 

E se os meus olhos marejarem

Nublados, tais pedras sem tibieza,

Ao toque envenenado do desencanto,

Dos rumores que chegam além das margens,

De feitiços e esconjuros sobre a vida,

Logo, em verde aquoso, se irão descerrar

Em demanda da medicina e repouso

De teus braços de sereia,

Ventos amainados de panaceia,

Refúgio dos martírios tempestuosos,

Como se fosses

Esteio de certeza

Basalto escrito de Lei

Que eu e tu já não somos nós,

Somos, só… Somos a mesma voz...

 

Andarilhus

X : VII : MMIX

publicado por ANDARILHUS às 18:12