Por Ti Seguirei... (27º episódio)

 

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(continuação de http://galgacourelas.blogs.sapo.pt/51285.html)

A mulher soluçava, tremia e era esquiva a qualquer aproximação. Foi Rubínia quem, com muita calma e tacto, conseguiu chegar-se e abraçá-la. A rapariga apertou-se de tal forma que quase desapareceu na túnica do amparo, como náufraga agarrada a lenho de salvamento. Ficaram assim algum tempo. Algo mais calma, lá se atreveu a dizer que se chamava Diália, era da tribo dos Carpetas e que o seu povoado tinha sido fustigado pelos Velenos, salteadores sem escrúpulos. A chacina fora quase absoluta, restando poucos com vida.

Era comum que estes bandos de assaltantes poupassem os mancebos para enfileirar na hoste e algumas mulheres, para os servirem. Uma escravidão medonha. Com esse mesmo objectivo, Diália e outras jovens escaparam à morte imediata para serem sujeitas aos caprichos e sevícias ignóbeis dos invasores, para além de serem verdadeiras escravas de trabalho, enquanto suportassem a fadiga e as crueldades. A mesma sorte era partilhada por alguns rapazes, os quais, se sobrevivessem ao cativeiro, poderiam ser, eventualmente, – ao contrário das conterrâneas femininas –, integrados no bando e tidos por pares.

Diália indicou que os Velenos estavam em repouso para além da colina, não muito longe, e que se iam divertindo a humilhar e a violentar os prisioneiros. Já tinham degolado uma mulher por esta resistir e agredir um deles. Para além da malvadez, estavam embriagados com tanta cerveja e hidromel pilhados. Alguns lutavam entre si em disputa dos réditos do saque, quer materiais, quer humanos. Ela conseguira fugir quando duas facções de homens discutiam a sua posse e usufruto. Era terrível, tratavam-nos pior do que animais.

Assim que se aperceberam que fugira, lançaram-se em sua perseguição. Aqueles 4 deram-lhe com a pista e estavam prestes a alcançá-la.

-“O que seria de mim se não tivessem aparecido para me salvarem?!...” As lágrimas reapareceram abundantemente.

- “Agora importa encontrar um lugar seguro, longe destes corpos. Se eles estão atrás da colina, temos de contornar a sua posição para seguirmos para Norte. Levamos os cavalos deles, que nos podem ser úteis, e…” Foi interrompido por Rubínia.

- “Alépio! Sabemos da tua preocupação com a segurança de todos. Porém, não podemos deixar esta gente entregue á sua sorte atroz. Temos de fazer qualquer coisa!

Entreolharam-se em silêncio. Aquela cumplicidade guerreira, forjada na amizade e confiança, notava-se como uma áurea que envolvia o grupo.

-“Diz-nos tudo o que sabes, Diália. Onde é que estão exactamente, como estão acampados, quantos são, quem são os seus líderes.” Adiantou-se Gurri.

Diália explicou que o bando contava com cerca de uma centena de elementos, a maior parte guerreiros, mas também com mulheres e crianças. Eram uma comunidade nómada que vivia como parasitas dos povos que ia encontrando pelo caminho. Estavam acampados na margem de um pequeno ribeiro e aí se manteriam até que se acabassem as provisões roubadas. O chefe estava ao centro do assentamento, no abrigo mais destacável. Tratavam-no por Gralfa e era o mais abrutado e feroz. Os restantes ocupavam buracos ou pequenas construções de ramos, ou estavam mesmo ao relento. Para os prisioneiros tinham montado uma vedação alta, próximo ao curso de água e junto aos cavalos e outros animais. Os cerca de 20 jovens estavam amarrados por cordas às estacas mais fortes.

-“Esta noite devem estar todos como cachos. Mesmo que acordem não terão reacção. Eis o que vamos fazer.” A imaginação estratégica, fértil, de Alépio já estava a antever os acontecimentos que se seguiriam…

(continua…)

 

Andarilhus

XXIV : IX : MMX

publicado por ANDARILHUS às 17:18