Sexta-feira , 16 de Março DE 2018

Galga Courelas em livro! 3ª Parte: Courelas de floração e de fruto. (2)

 

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 Guarda-me em teu beijo

 

Espera-me com flores

Quando eu te visitar,

Deitada em nenúfares

De seda carmim,

Presenteia-me de amores

Em suave esvoaçar.

E sempre que eu te procurar,

Tenta-me encontrar,

No encalço da tua intimidade.

Despida de cautela ou sensatez,

Abraça-me de enfeitiçado luar,

Desnuda a inocência do meu esgueirar,

Atrevido e de dissimulada timidez.

 

Espera-me em leito de rosas!

Chegarei a sussurrar

Trovas de bem-querer

Baixinho, bem perto, a arfar

Em tuas orelhas formosas.

Guarda-me no teu beijo,

Em baile de sensualidade,

De gestos suaves, imateriais,

Fugidios das mãos ladinas

Libertos de cansada solenidade.

Acerca-te do meu deambular

Ritual, peculiar,

E, assim próxima,

Guarda-me nos teus lábios,

Com o travo de terra e mar

De afogueado desejo,

Por ondas de doce embalar,

Por relevos de adágios.

 

E mesmo quando apartado,

Já cá estou, tão perto

Que não sei onde acabas tu, onde acabo eu…

Cintila a ternura com o afago a iluminar

O escuro da reserva, o negro da solidão;

Há uma luta de paz, um cativeiro aberto.

Derrubam-se muros, constroem-se pontes

Sem contar minutos, sem cansar.

Não me esperes mais,

Sou teu

Em permanente chegar.

XXX : IX : MMVIII

Jorge Pópulo

 

 

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Boas leituras!

publicado por ANDARILHUS às 07:53
Segunda-feira , 12 de Fevereiro DE 2018

Galga Courelas em livro! 3ª Parte: Courelas de floração e de fruto.

 

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E Tu…

 

Tu poderias ser

A minha verdade irrefutável,

O momento melhor do sonho

O descanso da vigília cansada.

Tu poderias ser

O prolongamento da minha vida,

A extensão da minha presença

A expansão do meu pensamento.

Tu poderias ser

O meu mundo inalienável,

Puzzle de peças que componho,

A Via Láctea envernizada!

Tu poderias ser

A minha escolha de lida,

Sorriso aceso no luto da doença!

A preguiça saborosamente lenta…

 

Tu poderias ter sido

A raiz de todas as minhas verdades

O sonho nunca acordado.

Um acaso sempre servido,

A tempo de todas as idades,

Em manjar a dois, pelo amor temperado…

 

Tu poderás ser

O tanto que já és para mim: O Tu­_do remanescente…

XXIII : V : MMVIII

 

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Boas leituras!

publicado por ANDARILHUS às 07:54
Sexta-feira , 19 de Janeiro DE 2018

Galga Courelas em livro! 2ª Parte: Courelas de lavra e sementeira.

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A culpa sublime

 

Sim, mea culpa…

Moldar a realidade

Pelo feitiço da utopia,

Deixar a crueldade

Aveludar na fantasia

Como as dores da idade

Em panaceia de óleos e mimos

De profecia propícia.

 

Sim, já fiz de tudo

Para esconder

O que não quero ver;

Para inventar

O que não existe.

Fico mudo

E estático

De tanto gritar

De tanto correr,

Por campos fecundos

De maleitas que dão saúde

De desertos que são nascentes cristalinas

De aleijões que dão virtude

De insípidos pântanos que são salinas.

...De tanto libertar o paraíso na Terra…

 

Sim, mea culpa…

Acreditar na revolução

Do universal amor

Na elevada solução

Da verdade nua remendar

Com os tecidos da mágica

Ternura do labor

De novo mundo idealizar.

 

Sim, suspirei por empenho

Sempre esperançado

Por te encontrar

E não te perder.

Da vida,

Tracei florido desenho

E, como Quixote alucinado,

Arquitectei pórtico para entrar

No teu abraço, e nele colher

Os afectos com que me saudaste

Sobre a colina do meu contentamento.

 

Sim, mea culpa…

A cegueira, a sede, a precipitação.

A tolice da credulidade

De poder atar a felicidade

Com o cordel de balão

Que nos acompanha,

Esvoaçante sobre nossa aura.

A ingenuidade não é pecado;

O sonho não é delinquente:

São, afinal, obras solitárias

Que criam rugas, e olhares perdidos.

Estou cansado, estou velho,

De me enganar, de fugir.

 

Sim, entrego-me!

Ao juiz de toda a gente

Confesso o disparate

Desta minha culpa … sublime.

XXVIII : I : MMX

 

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Boas leituras!

publicado por ANDARILHUS às 07:47
Quarta-feira , 03 de Janeiro DE 2018

Galga Courelas em livro! 1ª Parte: Courelas daninhas e de pousio

 

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Remos de vida por mar inóspito

Em deriva segue o batel

De remos caídos

E velas quebrantadas…

Sente saudade do flúmen de pêssego e mel,

Dos alentos de terra e das margens aveludadas.

Embalado em tempos idos,

Mais se desgoverna nas ondas de ouriço,

Acossado por ciclones de vespas feras:

Vem bruta a chuva de cascalho graúdo,

Violenta sobre o casco já açoitado

No ricochete das águas em rebuliço…

Afeito, contorna as traições do seu mundo,

O revés movediço,

Vai fintando o mar furado

Que o seduz até ao fundo

Até ao fim…

Segue em abafado gemido,

De gonzo e pranto,

Gingando, apertado, em esgar fugido

Das voltas tentaculares do fluxo ferrugento.

Na busca da saída ou de um apaziguado recanto,

Acima, avista o céu de cobre em aluimento,

Que se abate como os cravos sobre a cruz…

E ali, no vórtice do horizonte minguante,

Como no covil da lombada de um livro,

Abraçados, nuvens opacas e oceano sem luz,

Esperam-no, nas asas de anjos negros,

Para se fecharem sobre as páginas da vida do errante.

Na crista da duna de espuma malfadada, dá rosto à dor:

Seguir em frente, direito ao ardil

Ou mergulhar logo ali, no silêncio?!

Sei lá!...

Ai, a saudade do lago da (boa) fortuna,

De pêssego e mel!

E estes peixes de chumbo que me rodeiam,

Saltaricos ofensivos,

Abutres de amargura e desdém.

Vou despedir-me de infatigável escuna,

Descoser as tábuas de papel,

E afundar com os carrascos que me golpeiam

Tenazes e lascivos.

Já não vou mais além…

XXI : VII : MMX

 

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publicado por ANDARILHUS às 17:49
Quinta-feira , 21 de Dezembro DE 2017

Galga Courelas em livro!

 

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Boas leituras!

 

 

"Despedida

 

Despertas andorinha, sofrida,

Naquele alvorecer,

Das ganas de abalar.

Sabes que irás…

Mas que nunca será uma partida.

Ficas no retiro do querer

Ansioso pelo chegar

Dos odores de novas Primaveras.

 

Vestes a pluma de viagem,

E, como folha dormente,

Soltas-te leve e vacilante

Pelo vento, quase sem graça…

Partes, soprada pela aragem,

Em dança de quem estará ausente.

Abafas o adeus com abraço esvoaçante

Que jamais se desenlaça…"

XXVIII : II : MMVIII

publicado por ANDARILHUS às 08:05
Segunda-feira , 08 de Maio DE 2017

Pedro: a “pedra” do carinho

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Ainda és flor a espreguiçar,

Qual céu a desfraldar a alva;

Ainda és Sol a estremunhar,

Tal noite incipiente a dissipar.

Porém, já em ti despontam

Juvenis asas de gaiato,

Inquietas por sorrir

Entre ventos de espírito ladino,

Imitando as ladainhas dos teus traços,

À porta do Mundo por descobrir.

Quando espraias o olhar traquino

Revelas o enlevo de pupilo

Na lição do SER com ternura,

Em cada um dos teus abraços,

Intensos no brilho do teu júbilo;

Quando agitas o espírito de catraio

Perfumas o ar de candura,

Pintas viçosos rouxinóis de alegria,

Num permanente novo ensaio,

Pelos genuínos sibilos da fantasia

De criança que faz da felicidade melodia.

Assim cresces!

Aprendendo e brincando,

Os desafios vão surgindo.

Mas tu superas, ágil,

As dificuldades e as novidades,

Sempre “malandro”, sempre rindo,

(Mesmo assustado ou frágil!)

Avançando pelos degraus de todas as idades.

E assim medras!

Nasceste de um sonho lindo,

Que em doce semente se deu a conhecer

Neste miúdo amanhecer primaveril;

A vida vais recebendo e construindo

Como fruto a amadurecer.

Mas não esqueças que afinal,

Mesmo após adormecido o génio pueril,

Podes sempre olhar atrás

E recuperar o sorriso do olhar de catraio

Na sua perfeita pureza inicial.

Pedro Santiago,

Meu querido filho,

(Como disse ao teu irmão Rafael

E direi à tua mana Sara),

É minha prece desejar que na tua existência

Haja sempre grandes desafios,

Mas nunca obstáculos intransponíveis.

Por isso,

Enquanto facultado de consciência

Será minha paixão, será meu papel,

Procurar garantir o BEM para ti

E apoiar-te na robustez das plumas

Que te sustentarão as asas das aspirações.

Cresce, aprende, estima, ama, partilha, ensina,

Com curiosidade, intrepidez, confiança e resiliência

… e sê sempre FELIZ!

 

Andarilhus

V : V MMXVII

 

publicado por ANDARILHUS às 19:52
Quinta-feira , 06 de Abril DE 2017
Terça-feira , 14 de Fevereiro DE 2017

A Trova de Isabela (Cantiga de amigo, Séc. XXI)

 

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Isabela

Viu o mundo mudar.

Agora

Sento o chamado no vento,

Sem receios, avança em devoção.

Os seus olhos não têm assento,

Teimam em bailar (sem se cansar);

São pioneiros no caminho

A vencer pelo séquito do coração.

 

Chega-te Isabela

Para comigo cortejar

O paladar doce do sonho no seu liminar;

Agarra-me Isabela,

Para comigo entrelaçar

O afeto no seu quente limiar.

 

IsaBela

Viu a casa desabar.

Agora

Sente renascer a vida em efusão,

Alentada, abre-se em porta encantadora.

Espera por quem a queira cruzar

Com paixão conquistadora,

Ocupando o caminho

Onde vagueia o séquito do seu coração.

 

Chego-me Isabela

Para contigo cortejar

O paladar doce do sonho no seu liminar;

Agarra-te Isabela,

Para comigo entrelaçar

O afeto no seu quente limiar.

 

Isa Bela

Viu o Sol apagar.

Agora

Germinou em fonte de luz interior,

Graciosa, ilumina quem se aproximar,

Irradia calor nos invernos da tristeza.

Madura, fogosa,

Brilha (mais) nos ocasos do caminho

Em que guia o séquito do seu coração.

 

Isa - a mais - Bela

Renasceste de raiz.

Agora

(à vida) Entrega reivindicação

Por fado afortunado e feliz.

(eu) Para sustento e repouso do teu ser

Ergo estalagem no caminho

Por onde saltita o séquito do teu coração.

Chega-te!

Chega-te Isabela

Para comigo cortejar

O paladar doce do sonho no seu liminar;

Agarra-me Isabela,

Para comigo entrelaçar

O afeto no seu quente limiar.

 

Andarilhus

XIV : II : MMXVII

publicado por ANDARILHUS às 19:59
Sexta-feira , 23 de Dezembro DE 2016

Cantiga de amigo (da sina pela vida)

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Senhora, diz-me em que águas

Lavas a tua áurea de frescura serena,

Como coras os rostos grisalhos da tristeza,

Em que regato carpido enxaguas as mágoas…

Diz-me, quando, assim ferida de agrura e pena,

Em que pensas, em afoita e fria destreza,

Quando o próprio pensamento

Se derriba pelos cardos da dor;

Como sossegas a aflição,

E amordaças o desgosto… diz-me…

 

Quero eu contigo aprender,

Para procurar uma luz,

Uma pequena luz,

Por ténue que seja

... mas persistente.

Um farol que me guie

Neste mar interminável

Em que cumpro a minha jornada;

Um brilho que me atraia

Como borboleta

Para repousante alívio...

 

Diz-me, Senhora,

Como posso avistar na água espelhada,

Assim, lavada áurea de frescura serena?

 

Com esta minha sina,

Por vezes corro

Atrás do pirilampo que me seduz.

E, por esperançados momentos,

Vejo quem me conduz,

Para logo desaparecer…

Quanto mais me aproximo

Mais se apagam

Os efémeros fulgores

Dos seus despertares.

A escuridão tropeça-me os passos,

Continuo a divagar

Sem acertar com o meu coração.

… Careço de amparo, senhora…

 

“Peregrino, não te deixes ofuscar

Pelos deslumbres etéreos

Das auroras boreais

Dos céus dos Homens;

Antes, atenta ao rumo puro, traçado

Pela mais singela das estrelas,

Pois é com gestos pequenos,

Feitios simples,

E condutas genuínas,

Que se lavra a minha áurea de frescura serena;

A verdade da vida… humana.

Procura a estrela, e segue-a…”

 

FELIZ NATAL!

 

Andarilhus

XXIII : XII : MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 17:57
Sexta-feira , 02 de Dezembro DE 2016

Por Ti Seguirei… (2.16)

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http://leiturasdahistoria.uol.com.br/ESLH/Edicoes/85/imagens/i503799.jpg

 

… em continuação de http://galgacourelas.blogs.sapo.pt/por-ti-seguirei-2-15-76136

 

Manobraram rapidamente para aproximarem novamente as amuradas. A maioria dos capazes saltaram para o navio onde se desenrolava a contenda.

Os romanos concentravam cada vez mais efetivos no centro da refrega, enquanto os cilícios se empenhavam estoicamente em conter a maré de inimigos que assomava da recém-chegada galera, atravessando as pranchas. Zlatan liderava a contra-ofensiva, dando o exemplo. Estava de tal modo engalfinhado na liça que avançou demasiado para o interior das posições inimigas, acabando por ficar cercado, na companhia de uma mão cheia dos seus seguidores.

Ainda longe, Tongídio apercebeu-se do perigo. Chamou os seus e envolveu-se na peleja, procurando resgatar o salteador dos mares.

- Zlaton, aguenta! Estamos a chegar! – gritou-lhe.

O pirata rodou a cabeça e, apesar de acometido por vários adversários, ao ver os iberos a carregar sobre os latinos, sorriu, dando um grito de regozijo que serviu de incentivo, propagando-se pelas suas linhas.

Com as falcatas sempre cálidas pelo sangue derramado, os iberos lograram libertar Zlaton do bloqueio romano, assim como amoleceram o ímpeto ofensivo do inimigo. Tongídio guiava agora os seus guerreiros para próximo das pontes que faziam a passagem entre as galeras romanas e que permitiam a constante entrada de reforços dos itálicos.

- Espera Tongídio! Tenho uma arma mais eficaz para afastar esta praga de uniformes pomposos. Tragam as talhas de barro lacradas que estão amarradas à base do mastro. Escolhe também dois dos vossos mais hábeis na utilização da funda. Já te mostrarei qual é a minha ideia.

- Assim seja, Zlaton: irá Caturnino buscar os potes que pedes. – apontou.

Os grandes recipientes de barro chegaram célere junto à frente de combate. Logo dois iberos – pastores em tempos de paz – muniram as fundas e aguardaram por ordens.

- Os potes têm uma surpresa espinhosa para os romanos. Quem tiver o braço forte deve-os lançar para a galera de lá. Quando estiverem ainda no ar, à altura dos ombros do inimigo, os fundibulários fazem-lhe pontaria. Entretanto, vamos fazer uma investida fulgurosa para provocar o recuo dos romanos. Atrás de nós, aproximem-se o que vos for possível, para executar o plano.

Um lusitano e um kaledónio foram incumbidos do arremesso. Assim que conseguida uma boa posição, uma após outra, 4 talhas foram lançadas e prontamente apedrejadas pelos exímios braços que giraram as fundas.

Executadas as ordens de Zlaton, não perceberam de imediato o que se passava na trirreme romana contígua. Apenas observavam algo parecido com uma nébula semelhante à do fumo, pendente sobre uma extensão do convés onde os legionários gesticulavam muito e movimentavam-se desordenadamente, acabando por abandonar a formatura em correria, para mergulhar no mar. A situação acabou por alastrar a toda a galera.

- Vamos recuar, são vespas africanas! Centenas delas! Os ferrões são como pequenos dardos, e estas estão bastante assanhadas, desde que foram fechadas nos potes de barro! – Riu-se Zlaton, descortinando o mistério da arma secreta.

A risada generalizou-se entre os combatentes iberos e cilícios enquanto aceleravam o passo de regresso à sua embarcação, aproveitando a desorganização lançada nas fileiras romanas.

 

Com todos a bordo, o barco dos marinheiros piratas afastou-se na direção de Cartago.

Restabelecida a calma, amparados os feridos e recuperados os maus tratos no equipamento, Zlaton deu ordens para se avançar com a preparação de refeição.

O tempo cobria-se de manto frio. Levantaram uma tenda junto ao mastro da embarcação, acenderam os fogareiros de bronze, e logo começou a correria dos cozinheiros ao porão dos aprovisionamentos.

As brasas atiçadas mordiscavam peixe, carne ou outros alimentos aparelhados sobre as grelhas. Uma pedra mantida ruborescida no calor da fornalha cozia a massa, transformando-a num pão liso, tostado e crocante. A mistura de condimentos exóticos adoçava ainda mais os intensos aromas, atiçando os sentidos e os estômagos esfaimados.

Em duas filas, os mais ilustres sentaram-se frente a frente, no tombadilho e sob a tenda. As taças com as iguarias iam circulando de mão em mão, assim como a bebida. Afagadas as fraquezas físicas, relaxavam os espíritos e a conversa avançava cada vez mais fácil, difusa e alegre.

 

No extremo oposto aos dos líderes, a ansiedade e a tremura dominavam Aleutério. Para ele, sobre aquele mar imenso, nada mais havia; nem barco, nem o enxame de indivíduos que, por força dos acontecimentos, se apinhavam dentro daquele casco sobrelotado. Zlaton era como uma visão hipnotizadora. Só os dois coexistiam naquele espaço, mas por múltiplos hiatos temporais, que corriam rápidos, entre o passado e o presente, na sua mente.

- O que se passa com o ancião, que me amarra sofregamente com o olhar?! Tem-me algum azar ou outro tipo de fel? Terei executado alguém que lhe era especialmente querido?

- Pelo contrário Zlaton, aquele homem tem algo para esclarecer contigo, e foi o verdadeiro motivo que nos fez voltar à liça com os romanos e lutar ao vosso lado. Deves ouvi-lo, porque esse parece ser o pronuncio dos deuses. – respondeu Tongídio.

O chefe cilício franziu o sobrolho, assentiu com a cabeça e apontou: - Tu, homem vetusto, vem sentar-te aqui ao meu lado. Quero escutar a sabedoria com que os anos te favoreceram. Zila levanta-te e troca de lugar com ele!

O pobre Aleutério estremeceu, despertando para o ambiente que o rodeava. Periclitante, com passos curtos, dirigiu-se e arrumou-se no lugar indicado. Leuko seguiu-o e aninhou-se atrás das suas costas.

Rubínia quebrou o gelo: - Apesar de viverem algo apartados da comunidade do nosso povoado, Aleutério e Leuko foram vaticinados pela graça da nossa deidade, Trebaruna, para que nos acompanhassem na missão que recebemos. Nada o fazia prever, mas o destino é-nos comum. Pouco ou nada sabíamos deste homem, que um dia apareceu junto aos nossos muros, sempre foi tido como alienado e, assim, respeitado no seu isolamento. Só recentemente, no decurso desta jornada, é que soubemos mais sobre o seu passado. Julgo que será esta a razão da sua eleição divina para o grupo e a obstinação por ti, Zlaton. Mas, ele o dirá…

 

Andarilhus

II : XII : MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 20:52
Quinta-feira , 12 de Maio DE 2016

O Sentir Sublime: Práxis

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É incomensurável o AMOR que por ti sinto

No abrigo do CARINHO, na redoma da AFEIÇÃO

No maior CUIDADO e ATENÇÃO do meu ser

Em ESCUTA ATIVA, como servente do ZELO

Que por ti se alimenta no fogo da PAIXÃO,

Na frescura pura do tão BEM te QUERER

Iluminado na maior das AMIZADES,

Que encontra na TERNURA o descanso aveludado

A ti dedicada, no prumo da minha HONRA,

Calibrada no CARÁTER, no gume da VERDADE…

Com FRANQUEZA te afirmo o REGOJIZO,

De te poder acompanhar nas cambiantes da vida,

Na ALEGRIA e na TRISTEZA, no RISO ou no PRANTO,

Tamanha a FELICIDADE de te ter por DÁDIVA,

E semear em ti o ABRAÇO e colher o teu BEIJO,

Mesmo que em profano DESEJO,

Consagrar contigo, em SENSUALIDADE,

A FUSÃO dos espíritos, a INTIMIDADE dos corpos.

Entre nós, a absoluta CONFIANÇA, o desnorte dos segredos,

Remidos nos laços da CUMPLICIDADE, na ENTREGA

Da CONFIDÊNCIA, por campos do SORRISO,

Por ledas canduras do concílio da nossa FAMILIA.

Vedo os olhos na CERTEZA de enxergar o quanto te quero,

Na CRENÇA do quanto te venero,

Neste COMPANHEIRISMO que te ESPERA sempre

No refúgio da SEGURANÇA e da DEDICAÇÃO.

Pela tenacidade da CONSTÂNCIA, partilho contigo

Com GRACIOSIDADE, a GENEROSIDADE, da ubíqua PRESENÇA

Pelos caminhos da FANTASIA e da REALIDADE,

Pelo mundo do LABOR e da espontânea BRINCADEIRA

De dois corações,

É contigo que eu partilho o ANELO do FADO abençoado!

 

Tu és muito, sobre o incompleto que eu sou,

E assim me preenches no todo que me equilibra,

Na luz que de ti emANA! :-)

 

Tens o meu coração, tens o meu espírito, cuida-os…

 

Andarilhus

XII:V:MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 07:34
Sexta-feira , 06 de Maio DE 2016

O Sentir Sublime: Doutrina

Para que nunca se esqueçam os sentimentos primordiais...

 

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Andarilhus

VI:V:MMVI

publicado por ANDARILHUS às 18:47
Quarta-feira , 16 de Março DE 2016

Oração Celta: A Gratidão

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[ou o enaltecer das graças recebidas das deidades acolhedoras]

 

          Às deidades da Vida e do Bem

Que me suturaram os pés de errante e penitente

E me desviaram do barranco que desaba até ao poço das diferentes mortes;

Às energias que me desgarraram do chão da derrota e

          que me instaram a resistir,

Arvorando-se em paladinos meus, nas pelejas com as forças demoníacas do Mal;

Às luzes que me arrancaram à cegueira da noite em obscura dor,

E me conduziram por veredas de esperança, tenacidade e resiliência;

A minha gratidão em devoção!

Pela dádiva maravilhosa recebida;

Pela causa resgatada ao Impossível;

Pelo patrocínio em defesa do padecimento sofrido e

          no compromisso de regeneração;

A minha gratidão em devoção!

Por encontrar transcendente escuta que atendeu ao lamento do coração aflito;

Por descobrir mar de bonança e porto de abrigo para este batel despedaçado;

Por granjear defesa de braço firme e atento que me escudou dos golpes fatais;

Por partilhar companhia de valedor puro que me orientou na direção correta,

          nos momentos cruciais.

A minha gratidão em devoção!

Pela dádiva do carinho e do conforto com que aliviaram a minha angústia,

Com que acolheram as minhas lágrimas no seu regaço,

E me deram conselho sincero e renovadas forças;

Pela dádiva da abençoada oportunidade de reunir os espíritos dialéticos

          nos mais belos sentimentos, no Universo…

A minha gratidão em devoção!

 

Louvo humildemente o enternecer e o cuidado que depositaram no resgaste deste ser.

Com alegria,

Obrigo-me a concretizar a minha palavra, obrigo-me a saldar as minha promessas,

          na forma e do modo como me empenhei perante vós, deidades.

E, no fulcro do compromisso,

Recebo a minha missão DEDICADAMENTE,

com toda a minha GRATIDÃO em DEVOÇÃO!

 

Andarilhus

XVI:III:MMXVI

 

publicado por ANDARILHUS às 19:29
Segunda-feira , 22 de Fevereiro DE 2016

Enlevo

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Flor Enamorada,

Vida Perfumada!

 

Andarilhus

XXII : II : MMXVI

 

publicado por ANDARILHUS às 07:46
Quinta-feira , 04 de Fevereiro DE 2016

O ensejo de ressuscitar sem morrer

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(O renovo de cada dia vindouro)

 

Vem até mim, amor,

Esgueira-te por gesta e lavra

Do coração em tanto sentir,

Esgueira-te por entre tormentas e reveses

Panaceia dor; repreende a palavra

De cada vivência mal colhida.

Apenas fardeis felizes traz no teu fugir

E os desejos de promissora vida.

Livra-te de tristeza, receio ou penhor,

De estrelas paridas nas oficinas da léria

E, sem distrações, segue os dedais

Que pelo carreiro enfileirei,

(Com carinho te o ilumino até mim)

Pois eu

Desejo beijar-te com fervor

Sob visco e azevinho

Anseio abraçar-te

Em grinalda de fino linho…

 

Em cada eu

Há uma multiplicidade tua;

Em cada gesto meu

Há mimica da carícia no rosto teu.

Tenho um mundo erguido

No querer-te por Sol e Lua,

Como dedicado esposo,

Como dileto amigo;

Tenho um firmamento escorado

No querer-te agasalhar em ternura

Por noite e dia,

Como abnegado confidente

Como incondicional companheiro.

Não te esqueças…

Sem distrações, segue os dedais

Que pelo carreiro enfileirei,

(Com carinho te o ilumino até mim)

Pois eu

Desejo beijar-te com fervor

Sob visco e azevinho

Anseio abraçar-te

Em grinalda de fino linho…

 

E tu, mulher querida,

Que com a tua própria dor

Expiaste este espírito tresmalhado

Brandindo a revolução e o condão

De me fisgares para a tona

Onde pude reapreciar a vida,

Onde pude resolver renascer…

Por muito que me deste

Não deixo de rogar

Por tua atenção, por tua bondade,

…Por teu amor,

Para que me sigas acompanhando

No renovo a cada dia vindouro,

No ensejo de ressuscitar

A cada dia, contigo… sem morrer!

Por isso, não te esqueças…

Livra-te de tristeza, receio ou penhor,

De estrelas paridas nas oficinas da léria

E, sem distrações, segue os dedais

Que pelo carreiro enfileirei,

(Com carinho te o ilumino até mim)

Pois eu

Desejo beijar-te com fervor

Sob visco e azevinho

Anseio abraçar-te

Em grinalda de fino linho…

(Escuta)

 

Andarilhus

IV:II:MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 07:38
Segunda-feira , 18 de Janeiro DE 2016

Transcende-Te

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Em todos os sonhos

Há despertares para anelos tangíveis;

Em todas as casas

Há portas que se abrem para o Lar;

Em todos os jardins

Há canteiros com fragâncias de paraíso;

Em todos os corações

Há artérias sublimes onde flui o afeto;

Em todos os gestos nobres

Há jeitos de humilde graciosidade;

Em todo o conhecimento

Há reflexos de saber emocional;

Em todas as vidas

Há momentos de sabor a imortalidade;

Em todas as experiências

Há instantes que confrontam a perfeição;

Em todo o bem-querer

Há inebriados arrebatamentos de amor;

Em todas as pessoas

Há sinais da essência do SER Humano.

(Do que estás à espera?) Sê!

 

Andarilhus

XVIII : I : MMXVI

publicado por ANDARILHUS às 19:44
Quarta-feira , 23 de Dezembro DE 2015

Quando a Criatura saúda o Criador

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 http://fotos.sapo.pt/cGJu2lzecQzwKJIfrFTZ/

 

Seguimos a Luz e já estamos próximos.

Renova-se o ciclo.

Entra o Inverno

E já aparece a primeira semente que trará a Primavera…

O renovo, a redenção.

E seremos nós capazes de suster o renascer (da esperança)?

Persistente?… Para sempre, é muito tempo

Para o tempo – virtude da perseverança – humano.

Sejamos honestos:

Vivamos como criação que o criador

Apenas conseguiu aperfeiçoar

E dediquemos cuidado, atenção, carinho

A todos aqueles que abraçamos com amor e amizade;

No nosso tempo peculiar

Façamos felizes aqueles com quem partilhamos afetos.

E se o divino não é perfeito, também não o devemos exigir

À criação inacabada

Então,

Sejamos apenas honestos

E por um sussurro do tempo desta existência incompleta

Façamos também os desconhecidos felizes:

Um sorriso, um cumprimento

Um gesto de alento

E talvez alguém recupere semelhante intento

De vontade de sorrir, de cumprimentar,

De animar

O próximo…

Nem que seja por um curto momento,

Ajudemos o criador a afeiçoar a humana criatura.

 

Feliz Natal!

 

Andarilhus

XXIII : XII : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 11:30
Quinta-feira , 08 de Outubro DE 2015

Não se murchem as flores

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Com o cisma provocado pela cisma da lida

Os que muito se amavam

Abriram brecha crescente entre si

Preenchida por um mar negro

De cardumes de fúrias e culpas.

Murcharam as flores da partilha e do querer,

Agitaram-se tempestuosas as águas turbas

Até que Neptuno domou o mar das lamúrias.

E foi então

Que começaram a lançar amarras, a construir pontes entre si,

Entre as opostas margens.

Aos poucos, regressou o diálogo e a partilha, até ao encontro

Bem no centro da ponte mais bela e robusta,

A ponte que firmava tenazmente as duas orlas.

Faltava um derradeiro passo, mas ele disse-lhe:

- “Vamos derrubar as pontes e cortar as amarras!”

Estranho pedido, que tudo parecia deitar a perder,

E ela, com pasmo triste, mais não soube dizer:

- “Se assim o queres…”.

Sorriu, então, o tolo enamorado: - “Quero e quero muito!

Desfazemos as ligações desnecessárias pois vamos encostar as margens!

Unimos as terras, e muito juntinhos, em cumplicidade e carinho,

Trocamos sementes e brisas,

Que farão renascer as flores do nosso amor!”

Ela suspirou com os olhos a brilhar,

Onde refletia já um belo jardim, perfumado e radioso,

O seu Lar, onde se amavam e, em ternura,

Educavam e brincavam com os filhos.

Acabara-se o cisma, jamais murchariam as flores…

 

Andarilhus

VIII : X : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 18:40
Segunda-feira , 05 de Outubro DE 2015

O Mal que vem por Bem

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Quando as adversidades assomam,

Por mais sofrimento que acresça,

Não nos conformamos,

Não nos rendemos à fatalidade.

Nem que de pedra se faça a boia

Para nos mantermos à tona

Nas águas do desespero e da tristeza;

Nem que de chumbo se façam as penas das asas

Para nos mantermos a pairar

Nos pântanos da desilusão e do desânimo;

Nem que de papel de seda se faça a corda

Para nos mantermos suspensos

Nas crateras vulcânicas da aflição e da mágoa.

Insurgimo-nos contra as agruras!

 

Quando os grandes infortúnios assomam,

Somos, realisticamente, colocados à prova

E é então que mostramos o nosso genuíno caráter,

E descobrimos o quanto não nos conhecíamos,

(Apenas presumíamos, até então).

Muitas vezes, de uma Má experiência,

Muitas vivências, das nossas múltiplas dimensões,

Transformam-se em BEM,

E a nossa vida muda radicalmente… para Melhor,

Uma melhor pessoa, um melhor individuo!

 

Andarilhus

V : X : MMXV

 

publicado por ANDARILHUS às 07:55
Quinta-feira , 01 de Outubro DE 2015

A Torre

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Desmoronam-se as certezas

Sobre quem somos,

Afinal pode existir Deus,

Afinal esvoaçam anjos à solta,

Para nos darem algum conforto

Nas nossas inexistências

Ou a Luz como um sonho para os nosso tapados olhos,

Ou o movimento de vida para as nossas apagadas mentes,

Preenchemos os dias como sonâmbulos

Inebriados pelo sopro da compaixão lamentada dos divinos…

Afinal forjaram-nos imperfeitos,

Somos peças com defeitos,

Algures, na criação,

Perdemos a universal dimensão

Da pureza do sagrado.

E por isso te digo:

Se eu pudesse enviar-te o meu coração

E te fosse possível escutá-lo diretamente,

Sem a tradução da razão,

(Minha e tua)

Instintivamente compreenderias

O quanto (confirmei que) te amo!

 

E Deus, antes de nos recolher e refazer,

Mantêm-nos em mundos suficientes

Onde adormecemos sem percebermos,

Onde se disfarçam as fraquezas…

Todavia,

Na sua infinita omnisciência

Permite aos não acomodados

A decisão de despertar do sonho induzido.

E assim decididos

Abalados até às convicções primordiais,

Enterra-se o oásis, emerge o deserto,

Até que um dia, mais cedo ou mais tarde,

Sofremos duramente com a verdade:

Encarar a realidade sem o afago do Criador

É uma brutal crueza!

Desde o chão árido

Reconstruo a minha torre

Com a ternura da memória

Do teu sorriso, do teu abraço,

Do teu beijo, da tua doçura e carinho,

Do teu amor…

Por isso te digo:

Se eu pudesse enviar-te o meu coração

E te fosse possível escutá-lo diretamente,

Sem a tradução da razão,

(Minha e tua)

Instintivamente compreenderias

O quanto (confirmei que) te amo!

 

Seria, talvez, mais fácil pedir a Deus

Que me voltasse a adormecer

Descuidar o meu olhar nos oásis aparentes,

Mas não me rendo às forças que te oprimem,

Sigo a caiar de alvura a minha torre

Para que te sirva de farol

Por entre as águas revoltas do diluvio!

E a Deus

Peço-lhe que te desperte a ti

E assim te possa dizer:

Se eu pudesse enviar-te o meu coração

E te fosse possível escutá-lo diretamente,

Sem a tradução da razão,

(Minha e tua)

Instintivamente compreenderias

O quanto (confirmei que) te amo!

 

I : X : MMXV

Andarilhus

 

publicado por ANDARILHUS às 19:25

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